Fotografia de pássaros e vida selvagem com a Canon EF 100mm f/2.8 USM Macro

Deixa eu admitir, logo no começo, que a lente usada é inadequada para a tarefa e que nem a Canon ou qualquer fotógrafo sério de vida selvagem a menciona como equipamento para este tipo de fotografia.

Mas… o que seria dos geeks, se não topássemos alguns desafios, de vez em quando? 😉

A Canon EF 100mm f/2.8 USM Macro (versão “não-L”), é uma lente muito boa para retratos e projetada para obter imagens macro.

É um projeto fascinantemente bem-feito e é muito comum os reviewers dizerem que não perde em nitidez para a “versão L” (que tem estabilização óptica imagem).

Canon EF 100mm f/2.8 USM Macro.

Apesar da inadequação da lente para o tema, gostaria de mostrar o resultado que obtive, ao fotografar um Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata) a uma distância superior a 100 metros (em alguns momentos).

A câmera usada foi uma Canon EOS 6D Mark II, no modo de autofoco de múltiplos pontos centrais — o que ajudou tremendamente a cravar o foco no animal. Eu, realmente, só precisava de uma teleobjetiva para obter o resultado ideal.

Como é possível observar, nas imagens, o foco da Canon EF 100mm f/2.8 USM é perfeitamente responsivo e capaz de acompanhar cenas de ação, por mais rápidas e intensas que sejam.

O recorte da imagem (zoom digital) foi de mais de 10X e há uma clara perda de nitidez causada por isso. Eu poderia ter melhorado as imagens no DarkTable, mas optei por mostrar as fotos o mais “cruas” possível.

Se levarmos em conta as condições duras do desafio e que a objetiva não é, nem de longe, projetada para este tipo de ação, é possível dizer que ela não “passou vergonha”.

As imagens obtidas servem para mostrar aos amigos, postar nas redes sociais — mas estão muito aquém do nível necessário para subir pro wikiaves ou outros sites de fotografia de pássaros e vida selvagem. Os 200mm, de distância focal, continua sendo o mínimo para se começar este tipo de fotografia.

Diário de um fotógrafo. Fotos em grande angular (a retroescavadeira)

A distância focal de 24mm, proporcionada pela objetiva Sigma 24-70mm f/2.8 IF EX DG HSM é a primeira grande angular que pude experimentar em câmera com sensor full frame.

Nesta pequena aventura, não poupei a lente. Usei a abertura máxima de f/2.8 e me mantive na extremidade inferior de seu range focal, de 24mm.

As fotos da galeria, abaixo, não foram tratadas. Elas correspondem aos arquivos RAW obtidos diretamente da câmera para o DarkTable — onde me limitei a reduzir a resolução (para a web).

Desliguei todas as opções de correção de distorções e aberrações ópticas — tanto na câmera quanto no DarkTable.

Se bem que a minha Canon EOS 6D Mark II só consegue corrigir a difração da lente Sigma 24-70mm f/2.8 IF EX DG HSM. O resto eu teria que arrumar na pós-produção — e eu raramente faço isso.

Convivo muito bem com algumas características das lentes, que alguns teimam em chamar de defeitos — tais como as distorções e as vinhetas.

Se você prefere fotos com melhor qualidade visual, eu sugiro tomar as seguintes medidas, já na própria câmera:

  • Ative todas as opções de correção possível, dentro da câmera. Se você gosta de editar suas imagens, isso já vai te poupar enorme tempo;
  • Siga a recomendação usual de não usar a abertura máxima, sempre que possível, em lente alguma. Na Sigma 24-70mm f/2.8 IF EX DG HSM, uma abertura de diafragma em f/4.0 já é o suficiente. O ideal é f/5.6 ou f/6.3.
  • As fotos em grande angular condensam em um pequeno espaço da imagem uma enorme quantidade de informações. Usar o modo de medição de luminosidade (metering mode) Evaluative (na Canon) ou Matrix (na Nikon) vai ajudar a obter uma configuração de captação média da luminosidade, evitando partes “estouradas” na sua imagem.

Por fim, não se esqueça de se divertir. Imagens em grande angular podem ser incríveis.

Se eu fosse editar as imagens, talvez escurecer e desaturar o céu, para dar mais destaque ao amarelo da retroescavadeira.