Quem investiu (e quanto) no seu deputado?

Os números e os valores divulgados neste post são todos obtidos no site oficial do Tribunal Superior Eleitoral.
Trata-se de dinheiro doado legalmente, até prova em contrário, e você pode verificar os dados por conta própria.

Mesmo dentro da lei, doações empresarias são fortemente questionáveis, sob o ponto de vista da ética.

Quem você acredita que influencia mais o comportamento do seu deputado ou senador?
Você, que lhe deu 1 voto ou a empresa que "doou" R$ 50.000,00 para a campanha?
Qual destes 2 valores ajuda mais em uma eleição?

O site para se informar sobre as doações de campanha (2014) do seu deputado é este aqui:

http://inter01.tse.jus.br/spceweb.consulta.receitasdespesas2014/resumoReceitasByCandidato.action.

Você pode checar outras empresas, além das que eu verifiquei.
Basta fazer uma busca pelo nome parcial ou pelo CNPJ, se quiser.

Indústria de armas Taurus
Clique para ver detalhes.

A relação mostra a quantia doada, legalmente, veja bem, para cada candidato.
No rodapé da relação, há uma somatória.

A empresa, em questão, doou (investiu?) um pouco mais de meio milhão de reais nas eleições para deputado federal em 2014.

Com esta informação em mãos, você pode acompanhar as votações do seu parlamentar e estabelecer uma relação entre as empresas envolvidas em sua campanha e a maneira como este votou.

Você pode obter a prestação de contas de outros anos no site:

http://www.tse.jus.br/eleitor-e-eleicoes/eleicoes/eleicoes-anteriores/eleicoes-anteriores.

A partir dele, selecione o ano desejado
Em seguida, selecione “prestação de contas”.
Espero que estes números ajudem a jogar uma luz sobre o comportamento do parlamentar que você elegeu.
Tenha em mente que o sistema não mostra, obviamente, eventuais ocorrências de “caixa 2” — o que seria ainda mais elucidativo, não é?

Vai ter um boom de obras em domínio público em 2019

domínio público logo

O ano de 2019 vai experimentar um crescimento nas obras que entram em domínio público.
A maior parte destas obras está em língua em inglesa (e há um motivo para isto), o que não quer dizer que não serão traduzidas para outros idiomas.

A “magia” acontece a partir do dia 01/01/2019.
Não se trata de “best sellers”, claro (enfim, você só lê o que a grande massa está consumindo?).
O que acontece é que, nos Estados Unidos, o termo de expiração de direitos autorais volta a valer, após uma suspensão de 20 anos (imposta pela indústra do direito autoral, em 1998).

Com este ato, itens publicados antes de 1923 entrarão em domínio público nos EUA.

Quando a primeira lei sobre copyright foi criada, nos Estados Unidos, ela estabelecia um período de 14 anos, após a publicação de uma obra, para que se tornasse de domínio público.
A pedido do autor, poderia ser estendido por mais 14 anos.
Boas obras poderiam ser amplamente divulgadas e lidas pela massa, ainda enquanto seus autores estavam vivos.

Atualmente, tal como no resto do mundo, as leis impõem restrições por toda a vida do autor, com um acréscimo de 70 anos.
Nos EUA, a lei se tornou ainda mais restritiva (para atender interesses financeiros em detrimento da difusão cultural).
Agora, o período se estende por 95 anos após a morte do autor!
Como a lei retroagiu, obras publicadas entre 1923 e 1977 terão seu período estendido também — e são elas que são esperadas para o início de 2019.
Obras do ano 1960, que estariam disponíveis, já em Janeiro de 2017, só entrarão em domínio público em 2056.

A atuais leis colocam toda a sociedade na dependência do detentor dos direitos autorais “querer ou não” publicar obras de um determinado autor.

Referências

https://law.duke.edu/cspd/publicdomainday/.
https://law.duke.edu/cspd/portuguese/.
http://www.gutenberg.org/wiki/PT_Principal.

Conhece o Projeto Gutenberg? Ele oferece milhares de livros gratuitos para você.

O Projekt Gutenberg oferece mais de 54 mil livros grátis para você baixar e ler aonde quiser.
Pode imprimir, ler na tela do computador, do celular, do tablet ou do leitor de ebooks (e-reader).

É claro que você precisa adequar as suas expectativas.
Não vai encontrar os ‘best sellers’ atuais nestas estantes.

Se não vai encontrar best sellers, como Harry Potter… com certeza encontrará grandes clássicos sumidos das prateleiras das grandes livrarias e, talvez, das bibliotecas.
A maior parte do acervo do projeto é composto por trabalhos cujos direitos autorais já expiraram, ou seja, se encontram em domínio público.
Não há conteúdo ilegal, aqui.
Milhares de voluntários, espalhados pelo mundo, ajudam a manter este lindo e importante projeto.
Embora não precise pagar nada, o projeto vive de doações.

Se for útil para você, doe de volta o valor que você pagaria por um livro, de vez em quando.

Os formatos dos livros

Além de encontrar alguns títulos em áudio, voltados ao público com deficiências visuais, o projeto disponibiliza conteúdo em PDF, TXT (puro texto), HTML e vários otimizados para plataformas de leitura digital, como o Kindle ou o Kobo.

O site do projeto

Você pode acessar a página do projeto em Português ou a versão original.
Como o site não é otimizado para navegação em telas pequenas, como celular ou e-reader, pode ser necessário dar zoom em algumas partes para ter uma melhor visualização de algum detalhe.
Fora isto, o site é feito para ser explorado.
Os livros podem ser encontrados em diferentes idiomas, mas o predominante é o inglês.
Ainda assim, milhares de títulos estão em português. É perceptível a forte presença da comunidade que fala o nosso idioma, no sentido de disponibilizar e organizar conteúdo.
Apenas explore o site… 😉

A partir de Janeiro de 2019 espera-se um boom de centenas de novas obras chegando, em domínio público, tal como “Bambi” e “O Profeta”, de Khalil Gibran.

O que você anda lendo ultimamente?

Introdução à rede social Mastodon.

mastodon logo

Como ferramenta de rede social, o Mastodon se descreve como milhares de comunidades interconectadas e disponíveis à sua escolha.
Além disto — por ser uma ferramenta aberta e de código livre — provê ferramentas suficientes para você criar a sua própria comunidade.

Tal como outras redes sociais, de código aberto, como o Quitter e o Diaspora, esta é descentralizada e independe de um órgão (privado ou governamental) para estabelecer seu controle ou fazer algum tipo de censura (direta ou através de algoritmos obscuros).

Quem já usou o Tweetdeck, como aplicativo web para se conectar ao Twitter, vai reconhecer de imediato sua interface organizada em colunas.

tweetdeck and mastodon
Clique, para ver detalhes.

Redes sociais abertas e descentralizadas trazem uma série de conceitos novos (e até, inacreditáveis) para quem nunca usou nada além de redes fechadas, centralizadas e proprietárias (como Facebook, Twitter, Google Plus etc).

Vamos conhecer melhor estes conceitos, antes da grande aventura.

Como funciona o Mastodon

Código livre e aberto tem um significado forte e abrangente aqui.

Por exemplo, se houver algum algoritmo no pedaço, você tem acesso a ele e pode estudar seu funcionamento.

Qualquer pessoa pode baixar o código fonte do Mastodon e rodar o seu próprio servidor, inclusive.

Cada servidor, pode hospedar perfis de usuários e armazenar o conteúdo que produzem ou que acessam na rede social.

Se você não quiser ter este trabalho (como a grande maioria), pode apenas escolher um servidor, dentre milhares, para criar seu perfil e se conectar a toda a rede.

Cada usuário tem um nome de perfil (ou conta) único, que vem acompanhado do nome do servidor (ou host) em que ele se encontra hospedado.

Por exemplo, usuario@exemplo.com — em que ‘exemplo.com’ é o nome do host.

Cada servidor também pode ser chamado de instância.

Uma rede social distribuída ou federada é um conceito de serviço descentralizado, distribuído entre diversos provedores independentes.

Consiste de múltiplos websites, cada qual com sua base de usuários.

Todos os websites da rede se comunicam entre si.

mastodon instancias
O usuário não fica restrito aos perfis hospedados em sua instância, uma vez que cada instância está conectada a todas as outras.

Desta forma, você vai se conectar a todos os usuários da federação.

A EFF, entidade de defesa dos direitos e das liberdades civis na Internet, endossa o modelo de rede social distribuída, como maneira de devolver o controle e o poder de escolha às mãos dos usuários.

Além disto, permite que cidadãos de regimes restritivos possam conduzir atos de ativismo com maior nível de proteção e anonimidade.

Quais são as vantagens de uma rede social federada?

Uma rede federada é constituída por servidores independentes (instâncias), mantidos por entidades e pessoas físicas do mundo todo, distribuídos geograficamente entre nações, continentes etc.

Os servidores estão conectados, mas rodam independentes uns dos outros.
São mantidos por pessoas ou organizações diversas e possuem políticas de moderação diferentes.

Por outro ângulo, sua conta ou perfil não é dependente de nenhum servidor.

Além de poder escolher aquele que tenha políticas de moderação e uma ética de condução mais compatível com a sua maneira de pensar, você pode trocar de host, em caso de bloqueio judicial, governamental ou econômico. Redes descentralizadas são alvos mais difíceis de bloqueios e censuras.

A rede é persistente e você não precisa se preocupar em migrar todos os seus amigos ou sua audiência a outra plataforma, se o servidor atual se tornar indisponível. Você só precisa procurar outra instância para se conectar.

Use um assistente para criar seu perfil no Mastodon

O primeiro desafio do usuário iniciante é encontrar uma instância para se conectar e criar o seu perfil na rede do Mastodon.
O site https://joinmastodon.org/ é voltada para ajudar as pessoas que querem começar. Há, inclusive, um assistente (wizard) que auxilia na escolha da melhor instância para você.

mastodon account creation
O botão “Help me choose” (ajude-me a escolher) dá início ao assistente do Mastodon.

Com algumas perguntas básicas, o assistente filtra as instâncias e, no final, mostra apenas as que estão de acordo com os seus termos.
No momento, em que escrevo, o wizard do Mastodon está em inglês, apenas. Mas muita coisa pode mudar com o tempo.
Se preferir, pode usar o link direto para a página do assistente: https://instances.social/.
mastodon wizard start

Escolha os idiomas que você domina:

Escolha se prefere uma instância com contagem de usuário ou se “tanto faz” (botão It does not matter).

A parte que segue é importante.
É onde você pode filtrar a relação de instâncias pelo tipo de conteúdo que eventualmente irão exibir (ou tolerar).
Para cada tipo de conteúdo, há 3 respostas a serem dadas:

  • Allowed — Permitido. Escolha, caso você queira permitir que este tipo de postagem, por ventura, apareça na sua timeline.
  • Don’t care — Não liga. Escolha, se você não se importa com este tipo de conteúdo.
  • Forbidden — Proibido. Escolha, se você não tolera este tipo de conteúdo.


Na ordem em que está aparecendo na imagem, acima, os tipos de conteúdo possível são os seguintes:

  1. Nudez sem a tag NSFW (Not Safe For Work ou inadequado para exibir no local de trabalho).
  2. Nudez com a tag NSFW — quando estiver em ambiente inadequado para este tipo de conteúdo, basta não clicar.
  3. Pornografia sem a tag NFSW.
  4. Pornografia com a tag NFSW.
  5. Conteúdo sexista (usualmente, machista).
  6. Conteúdo racista.
  7. Links para conteúdo ilegal (inclui links para download de filmes, músicas etc.)
  8. Spam
  9. Propaganda — se você proibir este tipo de conteúdo, a lista poderá excluir instâncias cujos serviços sejam mantidos com anúncios.
  10. Discursos de ódio.
  11. Comportamento abusivo ou bullying
  12. Posts contendo spoilers de filmes ou séries, sem prévio aviso.

Após clicar em “Next“, o assistente finalmente vai mostrar uma lista de instâncias que se encaixam no seu perfil de usuário.

Se não ficar satisfeito(a) com as opções oferecidas, volte atrás e refaça suas escolhas.
Note que cada instância listada traz uma breve descrição sobre as pessoas e os assuntos abordados lá dentro.
Use o tradutor do Google, se não se sentir confortável com a língua inglesa.

Abaixo, a tela de cadastro do Mastodon em língua portuguesa, uma das opções da lista anterior.

Enfim, espero que a gente se encontre por lá! 😉

Referências

https://joinmastodon.org/.

Você tem muita dificuldade para dançar dentro do ritmo? Então você precisa conhecer esta explicação científica.

A dificuldade que algumas pessoas têm de dançar ou acompanhar ativamente passos de dança pode ter causas biológicas e explicações científicas.
Não sou um grande fã de dança, nem de filmes do gênero, mas gosto e sempre sonhei em um dia saber dançar como uma “pessoa normal”.
Pois bem, a explicação que segue, diz que é melhor eu sonhar com outras coisas mais plausíveis.
Pesquisadores da universidade de Montreal e da McGill University compararam duas pessoas suspeitas de terem beat deafness com 32 componentes de um grupo de controle.
Pediu-se aos participantes que batessem os pés no chão, sem acompanhamento musical — mas acompanhando as ordens de um instrutor. Todos foram capazes de fazẽ-lo, o que eliminou uma possível deficiência de coordenação motora.
Já, com a adição de uma música, os participantes suspeitos de possuírem a condição de beat deafness simplesmente não conseguiam acompanhar.
john Travolta and Uma Thurman dancing

Geralmente, um ser humano tem a habilidade de ouvir e acompanhar as batidas e o ritmo das músicas desde a infância.
Aproximadamente 4% da população, contudo tem algum tipo de deficiência para sincronizar seus movimentos com o ritmo de uma música.
Esta condição é chamada de beat deafness ou “surdez rítmica”, em uma tradução livre.

A pessoa que tem “surdez rítmica” — apesar do que diz o nome — pode, sim, ouvir as batidas e o ritmo. Contudo, ela tem dificuldade para acompanhar as batidas com os movimentos do corpo.
Mesmo pessoas que “dançam mal” conseguem acompanhar o ritmo de uma música e coordenar seus movimentos — o que não vai acontecer com aqueles que sofrem de beat deafness.

Resumidamente, é a incapacidade de se mover de acordo com o ritmo de uma música.

john Travolta and Uma Thurman dancing
O time de pesquisadores concluiu que a condição, mesmo rara, constitui um desajuste que afeta como os ritmos biológicos internos reagem a ritmos externos — não necessariamente audíveis.
A surdez rítmica afeta também a capacidade de acompanhar os passos de um colega ou parceiro de caminhada, por exemplo.
Paciência.
Pelo menos agora, você tem explicações científicas — o que não significa que tenha uma desculpa para deixar de se divertir.
Se tem uma coisa que aprendi, é que feio é ficar reparando nos outros.
Bonito, é ser feliz, mesmo dançando fora do ritmo!

Referências

http://www.mcgill.ca/channels/news/so-you-think-you-can-clap-beat-239990.
http://www.sciencealert.com/can-t-dance-there-s-a-scientific-explanation.