Por que as lentes da série L da Canon custam mais caro? (Parte II)

Recentemente, expliquei o que as lentes da série L têm a mais em relação às lentes “normais” da empresa. No post fiz uma comparação entre a Canon EF 24-105mm f/4L IS II USM e a Canon EF 24-105mm f/3.5-5.6 IS STM — por que têm as mesmas distâncias focais.

Leia o post aqui, se quiser entender melhor o assunto.

Embora, até o momento, não tenha ocorrido discordâncias dos leitores, alguns me perguntaram: “e as 24mm?” ou “e as 50 ou 85mm?!”.

De fato, foi fácil mostrar que a disparidade de preços entre as 24-105mm da Canon não é tão grande assim e que pode compensar economizar um pouco mais para comprar a versão high end, neste range focal.

Contudo, quando analisamos as outras distâncias focais — 24mm, 35mm, 50mm e 85mm — a resposta já não é mais tão fácil e as discrepâncias entre os valores são bem mais acentuadas.

As reais diferenças entre as 24-105mm da Canon

Eu poderia acrescentar, em relação ao artigo anterior, que a abertura máxima, de f/4, da versão L, não chega a ser um diferencial tão grande assim, em relação à versão low end (de baixo custo) — ela também consegue oferecer uma abertura igual ou inferior até os 28mm e consegue chegar a f/4.5 aos 42mm.

No artigo a que me referi, acima, nem citei a abertura máxima da lente como diferencial.

Mas, nos casos que seguem, este diferencial é mais proeminente e, com certeza, será mencionado.

As lentes com distância focal de 24mm da Canon.

A Canon tem 4 (quatro) opções de objetivas prime (de foco fixo) nesta distância focal:

  • EF-S 24mm f/2.8 STM (US$ 159,00), é uma lente pancake, na faixa de preço da 50mm f/1.8 (de quem vamos falar mais adiante…). Parte da explicação do baixíssimo custo dela é que se trata de um projeto voltado para sensores APS-C e, portanto, os elementos de vidro (além de ser em menor quantidade) têm circunferência menor — em outras palavras, tem menos vidro.

Trata-se de um projeto de excelente qualidade, mas que não pode ser usado em câmeras fullframe — o que já dificulta muito a comparação.

  • EF 24mm f/2.8 IS USM (US$ 600,00), não tem preço de objetiva “popular” mas, talvez, seja a melhor para ser usada na comparação com a sériel L, abaixo.

Para justificar o preço desta lente, em relação à anterior (EF-S 24mm f/2.8 STM), veja que ela tem mais elementos de vidro (e maiores) para cobrir a área de um sensor fullframe, além da estabilização óptica de imagem.

Até aqui, ela custa 600 dólares mas, se incluir os itens extra (bolsinha, hood e filtro de proteção), seu valor pode chegar a aproximadamente 750 dólares — metade, por tanto do preço da série L, da família.

  • EF 24mm f/1.4L II USM (US$ 1550,00), com um custo aproximadamente 2X superior à opção anterior, não tem estabilização, mas tem a capacidade de repassar uma quantidade muito maior de luz para o sensor.

Como já disse, o objetivo dos meus posts, é apenas mostrar que as diferenças de preços nem sempre são tão grandes entre as objetivas “comuns” e as “extraordinárias”, da série L.

  • TS-E 24mm f/3.5L II (US$ 1900,00), próximo de 2 mil dólares, é um equipamento voltado à arquitetura, como um nicho. Alguns fotógrafos a usam para compor retratos mais interessantes, com um desfoque mais direcionado (tilt shift) que a lente permite. Não faz sentido comparar ou discutir preço de equipamento de nicho. Uma das variáveis, que compõem seu preço, é provavelmente a escala marginal de produção e a complexidade extra na sua fabricação.

As 35mm da Canon.

Desta vez, me permita ignorar a versão EF-S Macro da lente. Vou comparar apenas as 2 versões EF — que podem ser montadas em todas as câmeras com sensores APS-C e fullframe da marca:

  • EF 35mm f/2 IS USM (US$ 600,00), é um projeto de 2012, sucessor da 35mm f/2 (1990), dentro de uma escola de design, que alguns poderiam dizer “desatualizada”, mas com uma excelente performance e estabilização de imagem. Se adicionarmos os acessórios dos kits das série L, ela poderia ser negociada a aproximadamente 750 dólares.

O que torna seu preço um tanto difícil de se entender, é a comparação com a 50mm f/1.8 STM (US$ 150,00), a “cinquentinha” — que, embora não tenha estabilização, permite abertura máxima de diafragma até f/1.8.

  • EF 35mm f/1.4L II USM (US$ 1800,00), é um projeto ligeiramente mais atual (2015), sem estabilização óptica de imagem.

Note que, neste ponto, encontramos uma diferença de preços bem grande. Ela custa 3 vezes mais que a 35mm f/2 IS USM e 4,5 vezes mais que a 50mm f/1.4.

Sempre lembrando que a diferença entre a distância focal de 35mm e 50mm é equivalente a um passo para trás ou para frente — se é que isso ajuda a decidir.

A Sigma e a Tamron oferecem objetivas semelhantes, por preços próximos da metade da versão L. É possível que a precificação da Canon esteja fora da realidade.

Para câmeras APS-C, eu sugiro fortemente considerar a Sigma 30mm f/1.4 EX DC HSM — um projeto antigo, mas ainda muito bom.

As opções de comparação na distância focal de 50mm da Canon

Este range focal é o mais popular da fotografia e a Canon tem 3 opções bem definidas, aqui:

  • EF 50mm f/1.8 STM (US$ 125,00), com uma relação custo/benefício ímpar, esta lente é a única recomendada deste set comparativo, a menos que você precise muito de alguma característica específica das outras.
  • EF 50mm f/1.4 USM (US$ 400,00), se você não precisa muito fazer suas fotos em f/1.4, não há necessidade de desembolsar 3X mais do que você pagaria pela “cinquentinha”. Tudo o que esta lente oferece, é uma abertura maior e um visual dos anos 90. O pacote não inclui filtro, bolsinha, hood ou qualquer outra vantagem.

Na minha humilde avaliação, a qualidade a mais não chega a 10% — embora eu aprecie muito o desempenho dela em condições de baixa luminosidade.

  • EF 50mm f/1.2L USM (US$ 1400,00), com um custo 11 vezes superior à cinquentinha e 3,5 vezes superior à 50mm f/1.4, você vai precisar de bons argumentos em casa para justificar esta compra.

O que pesa, no preço deste “monstrinho” (digo isso com bastante carinho), é o projeto de objetiva com capacidade para chegar a f/1.2 — não é fácil. A complexidade tem um custo.

Os projetos de 85mm da Canon

Nesta faixa de distância focal, temos uma situação semelhante a dos 50mm, com a diferença de que o projeto de abertura de diafragma a f/1.4, aqui, também pertence a série de luxo da empresa:

  • EF 85mm f/1.8 USM (US$ 419,00), você não vai ler ou assistir a reviews negativos desta lente. Entre os pontos fortes, que são apontados sobre este projeto, é a velocidade do autofoco — que bate a das outras 2.
  • EF 85mm f/1.4L IS USM (US$ 1600,00), custa 4X (um pouqinho menos…) mais caro que 85mm f/1.8. O que a Canon está te cobrando aqui, é um projeto óptico superior, a estabilização de imagem e, obviamente, os acessórios de sempre (bolsinha, hood e o filtro de proteção).
  • EF 85mm f/1.2L II USM (US$ 2000,00), custa 5 vezes mais que 85mm f/1.8. Em relação à 85mm f/1.4 L IS USM, você paga mais pela excelência óptica — mas vai perder a opção de estabilização da imagem.

Conclusão

Vai haver casos em que a diferença de preços entre uma objetiva da série L, em relação a sua versão mais barata, é, se não pequena, justificável.

Para mim, o grande apelo das objetivas de luxo é a resistência (a poeira, a água e a choques). O salto, em qualidade, nunca me pareceu grande a ponto de desembolsar, em alguns casos, 11 vezes mais dinheiro.

Como fotógrafo, não sou um maluco por nitidez ou detalhes ínfimos nas imagens. Não ligo para vinhetas ou eventuais distorções — que, geralmente, podem ser corrigidas dentro da câmera.

Mas me preocupo com a durabilidade do equipamento e esta é uma das respostas que a série L oferece aos seus clientes.

Jamais me envolveria em dívidas para adquirir uma lente nova, mas com certeza, estou sempre disposto a guardar dinheiro, por um tempo maior, até completar o necessário para adquirir “a lente dos meus sonhos”.

Sinceramente, se não for para deixar a objetiva em cima de uma estante, pegando poeira, com certeza vale a pena fazer o esforço para adquirir a que você quer.

Vale a pena comprar uma câmera “de verdade”?

Canon EOS 6D Mark II

Hoje, na sessão dos comentários (ali embaixo), uma leitora perguntou por que as câmeras são caras.

Acho difícil responder. Há vários pontos de vista a serem considerados.

A questão tem vários ângulos e, dependendo da sua posição, uma câmera (ou qualquer outro objeto, que você puder imaginar) pode parecer caro ou barato.

Deixa acrescentar um pouquinho da minha experiência pessoal ao assunto.

Muito antes de comprar uma câmera “dedicada”, eu usava a do meu celular. Aliás, o meu primeiro celular com câmera, foi um Sony Ericsson w200i. Foi o celular mais divertido que já usei na minha vida. Daria para fazer um post só sobre ele, com certeza.

A câmera do w200i tinha resolução VGA (640X480) e ainda tenho guardadas algumas fotos que tirei com ele.

O fato é que, a partir do momento em comprei um celular com câmera, o meu gosto pela fotografia começou a crescer.

À medida em que as câmeras dos meus celulares evoluíam, eu passei a tirar mais e mais fotos do mundo ao meu redor.

Por um lado, sempre fui o maluco que tira o celular do bolso o tempo todo para tirar foto — uma janela interessante, uma porta colorida, uma flor diferente… tudo me chama a atenção!

Por outro lado, os meus filhos estavam crescendo e eu queria registrar os nossos momentos. Foi quando a Olympus D540 entrou na minha vida. Foi a minha primeira câmera de verdade. Provavelmente nem saberia o quanto me arrependeria se não tivesse feito esta compra.

A D540 durou aproximadamente 10 anos e sempre foi usada em conjunto com o celular.

Celulares e câmeras nunca foram mutuamente exclusivos para mim.

Quando finalmente parou de funcionar, continuei usando apenas o celular que tinha nas mãos. Muitos anos depois, fui comprar uma Canon EOS Rebel 1300D (ou T6) e, só então, fui começar a estudar fotografia com um pouco mais de seriedade.

Até que ponto você realmente gosta de fotografia?

Eu vejo muitas pessoas dizerem que amam fotografia e a criação de imagens.

Algumas dizem que sonham em ter uma câmera, para criar imagens lindas iguais as que costumam ver nas redes sociais.

Destas pessoas, muitas raramente tiram o celular do bolso, por que ele, supostamente,não tem qualidade o suficiente.

“A melhor câmera é a que está com você!”

Chase Jarvis

Deixa eu te contar uma coisa: desde 2010, não existe mais celular com câmera ruim. Se as suas fotos não estão saindo do jeito que você quer, há uma grande probabilidade de conseguir melhorar, sem mudar de equipamento.

Com um pouco mais de conhecimento de técnicas de fotografia, é possível remover ou contornar a maioria dos obstáculos para obter fotos interessantes.

Se você gosta de boa comida, frequente os bons restaurantes. Se quer fazer boas comidas, comece a estudar culinária. Se você não gosta de pôr as mãos na massa, na cozinha… então o seu lugar é “sentado(a) à mesa”. Não há nada de errado nisso — apenas coloque os pés na realidade. Quem você é?

Eu sei quem sou na música: sou a pessoa que ouve e admira. Só isso. Na cozinha, também.

Já, na fotografia, prefiro gastar o meu tempo na rua, no mato, na cidade, no meu quintal… sempre procurando me aprimorar e fazer cada vez melhor.

Pessoalmente, fico muito pouco frustrado se minhas fotos não ficaram boas. Eu realmente não me importo. Isso significa apenas que vou ter que sair de novo, com a câmera na mão, no dia seguinte — não dá pra ficar triste!

Se tudo o que tenho nas mãos é um celular ou uma câmera velha, isso não muda o fato de que vou continuar a tirar fotos.

Para concluir o argumento, se você não costuma tirar o celular do bolso para registrar tudo o que te interessa, ao redor, provavelmente não vai fazer isso com uma câmera.

Se tem vergonha e medo de parecer maluco, tirando fotos no meio da rua — e, acredite, parece mesmo! — você provavelmente não irá fazer isso com uma câmera.

A desculpa da câmera ruim

Não ter uma super-hiper-mega-câmera não impede ninguém de sair de casa, de manhã e voltar à noite com boas fotos. O celular de 2010, já era muito melhor que a câmera do Ansel Adams ou do Henri Cartier-Bresson.

Estudar e praticar, é o que vai fazer você se tornar cada vez melhor — isso vale pro músico, pro cozinheiro, pro pintor, pro atleta etc.

Eu jamais afirmaria que um Stradivarius não é um instrumento extraordinário. Mas eu digo que não serve para alguém que está iniciando seus estudos na música. Se eu comprasse um, seria um enorme desperdício de dinheiro.

Deixe para comprar uma câmera melhor, quando você sentir que as especificações técnicas da atual, não suprem mais as suas necessidades.

Edição de imagem

Se você está sempre comparando suas imagens com as dos outros nas redes sociais, vale a pena considerar o fato de que é muito comum fotógrafos editarem suas imagens.

Alguns editam pesadamente — a ponto de perguntar “se era para criar uma foto inteiramente nova, deste jeito, nem precisava usar a câmera…”

A edição de imagens é um capítulo à parte na fotografia. Alguns fotógrafos editam intensamente, outros editam um pouco e há quem deteste editar.

De repente, o que você está olhando e admirando nas redes sociais, são imagens extremamente bem editadas e, possivelmente, tiradas com uma câmera de tecnologia inferior a do seu celular.

Uma câmera de nível profissional faz tudo pra gente!

Isso não é verdade.

Enquanto o celular tem uma penca de funções automatizadas, que você jamais imaginaria, o projeto de uma câmera profissional (ou de entusiasta) parte do pressuposto de que o fotógrafo sabe o que quer. Portanto, deixa o máximo de funções sob o seu controle.

Todas as câmeras de nível profissional/entusiasta que eu conheço têm opções automáticas. Mas o forte destas ferramentas, está sempre no modo “manual” ou “criativo” — aonde temos muita flexibilidade e menos automação, para construir as imagens que desejamos.

Em outras palavras, pode ser até mais difícil fazer fotos decentes com uma câmera profissional, se você não conhece técnicas básicas da fotografia.

Conclusão

Só você pode responder a estas perguntas, em relação à sua fotografia. Seja sincero(a), com você mesmo(a), sempre.

No final das contas, sabe o que vai sair muito, muito, muito caro?! Vai ser deixar a sua câmera na estante, toda vez que sair de casa.

Na verdade, a grande pergunta é: o equipamento vai ficar na estante, pegando poeira, ou na sua mão?! Vai ser sua grande companheira de aventuras ou vai ficar esquecida em uma das prateleiras da sua casa?

Fotografia de pássaros e vida selvagem com a Canon EF 100mm f/2.8 USM Macro

Deixa eu admitir, logo no começo, que a lente usada é inadequada para a tarefa e que nem a Canon ou qualquer fotógrafo sério de vida selvagem a menciona como equipamento para este tipo de fotografia.

Mas… o que seria dos geeks, se não topássemos alguns desafios, de vez em quando? 😉

A Canon EF 100mm f/2.8 USM Macro (versão “não-L”), é uma lente muito boa para retratos e projetada para obter imagens macro.

É um projeto fascinantemente bem-feito e é muito comum os reviewers dizerem que não perde em nitidez para a “versão L” (que tem estabilização óptica imagem).

Canon EF 100mm f/2.8 USM Macro.

Apesar da inadequação da lente para o tema, gostaria de mostrar o resultado que obtive, ao fotografar um Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata) a uma distância superior a 100 metros (em alguns momentos).

A câmera usada foi uma Canon EOS 6D Mark II, no modo de autofoco de múltiplos pontos centrais — o que ajudou tremendamente a cravar o foco no animal. Eu, realmente, só precisava de uma teleobjetiva para obter o resultado ideal.

Como é possível observar, nas imagens, o foco da Canon EF 100mm f/2.8 USM é perfeitamente responsivo e capaz de acompanhar cenas de ação, por mais rápidas e intensas que sejam.

O recorte da imagem (zoom digital) foi de mais de 10X e há uma clara perda de nitidez causada por isso. Eu poderia ter melhorado as imagens no DarkTable, mas optei por mostrar as fotos o mais “cruas” possível.

Se levarmos em conta as condições duras do desafio e que a objetiva não é, nem de longe, projetada para este tipo de ação, é possível dizer que ela não “passou vergonha”.

As imagens obtidas servem para mostrar aos amigos, postar nas redes sociais — mas estão muito aquém do nível necessário para subir pro wikiaves ou outros sites de fotografia de pássaros e vida selvagem. Os 200mm, de distância focal, continua sendo o mínimo para se começar este tipo de fotografia.

O que as lentes da série L da Canon têm a mais, para custar o que custam?

A série L de lentes da Canon, identificada por um anel vermelho na frente das objetivas é conhecida também pelos preços “um pouco” mais altos que a empresa cobra.

Há alguns itens, recursos e características do próprio produto que concorrem para justificar o seu preço.

Os mais óbvios são uma bolsinha (lens case ou pouch), o parasol (ou hood) e o filtro que a lojinha oficial às vezes inclui no pacote. Os valores (em dólar) podem ajudar a entender melhor pelo que você estaria pagando ao levar pra casa um produto desta linha.

Em tempo, a letra “L” que identifica a linha, na nomenclatura dos produtos, significa “luxury“, que pode ser traduzido por esplendor, magnificência ou, simplesmente, luxo.

Lente Canon EF 24-105 f/4 L II USM. Foto B&H.

Deixe-me acrescentar que, para fazer a comparação, vou usar as seguintes lentes como referência, uma vez que possuem a mesma distância focal:

  • Canon EF 24-105mm f/4L IS II USM: US$ 1100.00.
  • Canon EF 24-105mm f/3.5-5.6 IS STM: US$ 600.00
Lente Canon EF 24-105mm f/3.5-5.6 IS STM

Comparar objetivas com a mesma distância focal pode tornar mais fácil entender o que está sendo oferecido, pela diferença de preço.

Até aqui, uma parece custar quase o dobro da outra.

Contudo, me deixe mostrar que a diferença de preço, na verdade, pode ser bem menor.

As referências de preços são as da loja oficial da Canon USA e da B&H.

Os “brindes” do pacote

Usualmente, a empresa inclui alguns itens ao lado da lente, que são os seguintes:

Bolsinha e tulipa para a lente da série L da Canon.
  • A tulipa ou o parasol (lens hood), que serve para proteger o elemento frontal de raios de luz lateral, que podem ocasionar o lens flare, que é um tipo de aberração óptica. Também serve para proteger a objetiva de pequenos impactos e do contato com os seus dedos no vidro da frente da lente. Custa entre US$ 30.00 e US$ 40.00.
  • A bolsinha ou case/pouch, que serve para carregar a lente, em segurança, protegida contra impactos. Custa entre US$ 30.00 e US$ 40.00.
  • Um filtro para ser atarraxado ao elemento frontal. Usualmente, ele oferece proteção contra digitais e gordura dos dedos, além de ter propriedades de repelência de água, umidade e poeira. Ele também evita que entrem respingos de água e poeira pela parte da frente da lente. Custa entre US$ 60.00 e US$70.00.
Detalhe do parasol da lente Canon EF 17-40mm f/4 L USM.
Para-sol da Canon EF 17-40mm f/4.0 L USM: O para-sol possui um revestimento aveludado na parte interna, que absorve bem melhor a luminosidade e ajuda a impedir que raios de luz lateral atingam o elemento frontal e acabem encontrando o caminho até o sensor, causando perda de contraste, entre outras aberrações óticas. O lado negativo: retém poeira, o que acrescenta um estágio a mais na limpeza do equipamento.

Não são itens triviais, como muitas pessoas podem pensar. A tulipa ou o lens hood, pelo menos, é algo que procuro comprar um para cada uma das minhas lentes — infelizmente, sem ele, o meu dedo sempre encontra um meio de encostar no vidro frontal da lente, me obrigando a procurar alguma coisa (nem sempre adequada) para remover a mancha.

A bolsinha, sempre aproveito a de outra lente, de forma que eu não precisaria — no meu kit atual — de mais de 2 bolsinhas.

Se você comprasse a lente Canon EF 24-105mm f/3.5-5.6 IS STM, com os itens acima, ela já passaria a custar entre US$720.00 e US$750.00, o que já diminuiria a diferença para algo entre 350-380 dólares entre os 2 modelos.

Estes US$350.00 a US$380.00 a mais, é o que a Canon cobra pelos recursos extra: resistência, qualidade de imagem e status.

Em outras palavras, a objetiva “série L”, neste caso, custa aproximadamente 46% a mais em relação ao valor de US$ 750.00.

Nos tópicos, abaixo, vou mostrar o que você obtém, se optar por pagar 46% a mais pela Canon EF 24-105mm f/4L IS II USM

O fator de status

Vou começar pelo item mais subjetivo e controverso.

Para a grande maioria dos fotógrafos, este fator é totalmente irrelevante. Já, para outros, pode ser bem mais importante que qualquer outro argumento.

Há clientes que se importam e observam com que carro, roupa e equipamento você se apresenta pro trabalho. E se pagam o suficiente para você ostentar itens caros e de luxo, não há o que discutir. Apenas compre — agrade os clientes e a si mesmo.

A grande maioria dos clientes, contudo, não percebe detalhes visuais do seu equipamento e não têm a menor ideia do significado do “anel vermelho”. Tampouco percebem a diferença de qualidade entre o equipamento topo de linha e o de entrada.

Resistência à água e à poeira.

Todo o projeto das objetivas high end da Canon é concebido para manter respingos de água e poeira do lado de fora do equipamento.

A eficiência desta proteção, contudo, depende de 2 coisas: a câmera precisa também ser “selada” contra os elementos e a lente precisa estar com o filtro de proteção montado na frente.

Na minha experiência, meu atual conjunto Canon EOS 6D Mark II + Canon EF 17-40mm f/4.0 L USM + filtro Kenko 77mm resiste muito bem a mais do que “respingos” de chuva. Nunca testei além disto, contudo, há vídeos no Youtube comprovando a eficiência da selagem das lentes e das câmeras, dentro das condições previstas pelo manual do fabricante.

As lentes da série L são mais resistentes a choques e pancadas

Nunca derrubei a minha câmera atual, mas o meu cachorro já derrubou uma Canon T6 (1300D) com uma lente Canon EF-S 55-250mm IS STM II, da altura de uma mesa. Não houve qualquer consequência ou dano — nem pro cachorro 😉

Longe de estar recomendando que você seja descuidado(a), quero apenas dizer que, baseado na minha parca experiência, até os equipamentos de entrada são razoavelmente resistentes.

Se estiver interessado, você pode ler o meu relato sobre a minha Sigma 24-70mm f/2.8 IF EX DG HSM, que comprei no fim de 2019 e chegou às minhas mãos com visíveis sinais de “maus tratos” ou uso extremo — mas em perfeito funcionamento, atualmente.

Se a Sigma 24-70, em questão, é um verdadeiro tanque de guerra em resistência, as lentes da Canon série L, estão em um nível definitivamente superior.

Faz sentido crer que elas aguentam o “tranco” do dia a dia e, eventualmente, algumas pequenas quedas.

Frisando: seja sempre cuidadoso(a) com as suas lentes e faça seguro.

Aqueles 10% a mais sempre são mais caros

Finalmente, chegamos ao ponto-chave: a qualidade das imagens que as lentes “L”, alegadamente, entregam.

Você pode melhorar a qualidade de qualquer produto, seja uma lente, um carro, um relógio etc. até certo ponto, quando você atinge um equilíbrio entre o custo e a qualidade final alcançada. Digamos que a lente Canon EF 24-105mm f/3.5-5.6 IS STM representa este balanço entre custo/benefício.

A partir deste ponto de equilíbrio, qualquer melhora na qualidade vai exigir o uso de vidro de melhor qualidade, engenharia interna e externa mais complexa, controle de qualidade mais rígido, profissionais mais bem pagos para montar o produto, revestimentos químicos mais caros, material mais preciso para a transmissão dos impulsos elétricos etc.

Cada ponto percentual a mais de qualidade passa a ter um impacto cada vez maior no custo final. Não há mais a razoabilidade entre o custo e os benefícios obtidos.

Este argumento também é muito subjetivo: você tem clientes que têm a capacidade de perceber estes 10% a mais na qualidade das imagens? E estão dispostos a te pagar quase 50% a mais?!

Itens de conforto e comodidade

Este é um dos pontos que são palpáveis e visíveis. Vocẽ consegue sentir que tem algo de qualidade superior nas suas mãos, durante seu trabalho.

A qualidade é perceptível nos anéis de foco e zoom, que se movem suavemente junto com as suas mãos.

Aqui, o argumento central é que você se sente bem usando uma objetiva de alto padrão, no seu dia a dia.

A “24-105 f/4 L” tem um diafragma com 10 lâminas, contra 7 da outra, o que pode proporcionar um bokeh mais suave e bonito.

A borracha, ao redor do mount da lente, garante um encaixe mais preciso, seguro e a impermeabilização do conjunto câmera/lente.

O elemento frontal, que não gira, melhora a usabilidade de filtros de polarização, por exemplo.

O lens hood original da Canon, tem encaixe de “baioneta” perfeito — inclusive na posição invertido, o que torna bem mais fácil guardar a lente na mochila e não precisamos ficar girando e rosqueando indefinidamente até que esteja anexado com segurança.

Além disso, a parte interna do hood das lentes L tem revestimento aveludado, tornando-a ainda mais escura e protegida contra o flare.

Conclusão

Para a grande maioria das tarefas, as lentes normais suprem perfeitamente as necessidades dos fotógrafos, mesmo os profissionais mais experientes ou os aficionados mais exigentes.

Praticamente tudo o que uma lente de alto padrão oferece pode se resumir em conveniência. Os resultados, comumente, podem ser alcançados, com objetivas de baixo custo, com conhecimento e técnica.

Salvo raríssimas exceções, você não precisa de uma objetiva de topo de linha da Canon para obter um bokeh decente ou uma grande nitidez. Toda lente tem limitações, que podem ser resolvidas ou contornadas com conhecimento técnico.

Como opinião pessoal, não concordo que compensa se endividar por um equipamento deste nível. Contudo, se for apenas uma questão de guardar dinheiro por um tempo maior, acredito vale a pena — para ter uma melhor selagem, mais resistência, além de alguns itens de comodidade (como o encaixe perfeito do hood) e o prazer de usar um anel de zoom e de foco mais suaves. A qualidade a mais e o status não são fatores decisivos para a minha compra deste tipo de equipamento.

E você? Acha que as lentes de alto padrão (seja Zeiss, Canon, Nikon etc) valem o que custam?