Vale a pena comprar uma câmera “de verdade”?

Canon EOS 6D Mark II

Hoje, na sessão dos comentários (ali embaixo), uma leitora perguntou por que as câmeras são caras.

Acho difícil responder. Há vários pontos de vista a serem considerados.

A questão tem vários ângulos e, dependendo da sua posição, uma câmera (ou qualquer outro objeto, que você puder imaginar) pode parecer caro ou barato.

Deixa acrescentar um pouquinho da minha experiência pessoal ao assunto.

Muito antes de comprar uma câmera “dedicada”, eu usava a do meu celular. Aliás, o meu primeiro celular com câmera, foi um Sony Ericsson w200i. Foi o celular mais divertido que já usei na minha vida. Daria para fazer um post só sobre ele, com certeza.

A câmera do w200i tinha resolução VGA (640X480) e ainda tenho guardadas algumas fotos que tirei com ele.

O fato é que, a partir do momento em comprei um celular com câmera, o meu gosto pela fotografia começou a crescer.

À medida em que as câmeras dos meus celulares evoluíam, eu passei a tirar mais e mais fotos do mundo ao meu redor.

Por um lado, sempre fui o maluco que tira o celular do bolso o tempo todo para tirar foto — uma janela interessante, uma porta colorida, uma flor diferente… tudo me chama a atenção!

Por outro lado, os meus filhos estavam crescendo e eu queria registrar os nossos momentos. Foi quando a Olympus D540 entrou na minha vida. Foi a minha primeira câmera de verdade. Provavelmente nem saberia o quanto me arrependeria se não tivesse feito esta compra.

A D540 durou aproximadamente 10 anos e sempre foi usada em conjunto com o celular.

Celulares e câmeras nunca foram mutuamente exclusivos para mim.

Quando finalmente parou de funcionar, continuei usando apenas o celular que tinha nas mãos. Muitos anos depois, fui comprar uma Canon EOS Rebel 1300D (ou T6) e, só então, fui começar a estudar fotografia com um pouco mais de seriedade.

Até que ponto você realmente gosta de fotografia?

Eu vejo muitas pessoas dizerem que amam fotografia e a criação de imagens.

Algumas dizem que sonham em ter uma câmera, para criar imagens lindas iguais as que costumam ver nas redes sociais.

Destas pessoas, muitas raramente tiram o celular do bolso, por que ele, supostamente,não tem qualidade o suficiente.

“A melhor câmera é a que está com você!”

Chase Jarvis

Deixa eu te contar uma coisa: desde 2010, não existe mais celular com câmera ruim. Se as suas fotos não estão saindo do jeito que você quer, há uma grande probabilidade de conseguir melhorar, sem mudar de equipamento.

Com um pouco mais de conhecimento de técnicas de fotografia, é possível remover ou contornar a maioria dos obstáculos para obter fotos interessantes.

Se você gosta de boa comida, frequente os bons restaurantes. Se quer fazer boas comidas, comece a estudar culinária. Se você não gosta de pôr as mãos na massa, na cozinha… então o seu lugar é “sentado(a) à mesa”. Não há nada de errado nisso — apenas coloque os pés na realidade. Quem você é?

Eu sei quem sou na música: sou a pessoa que ouve e admira. Só isso. Na cozinha, também.

Já, na fotografia, prefiro gastar o meu tempo na rua, no mato, na cidade, no meu quintal… sempre procurando me aprimorar e fazer cada vez melhor.

Pessoalmente, fico muito pouco frustrado se minhas fotos não ficaram boas. Eu realmente não me importo. Isso significa apenas que vou ter que sair de novo, com a câmera na mão, no dia seguinte — não dá pra ficar triste!

Se tudo o que tenho nas mãos é um celular ou uma câmera velha, isso não muda o fato de que vou continuar a tirar fotos.

Para concluir o argumento, se você não costuma tirar o celular do bolso para registrar tudo o que te interessa, ao redor, provavelmente não vai fazer isso com uma câmera.

Se tem vergonha e medo de parecer maluco, tirando fotos no meio da rua — e, acredite, parece mesmo! — você provavelmente não irá fazer isso com uma câmera.

A desculpa da câmera ruim

Não ter uma super-hiper-mega-câmera não impede ninguém de sair de casa, de manhã e voltar à noite com boas fotos. O celular de 2010, já era muito melhor que a câmera do Ansel Adams ou do Henri Cartier-Bresson.

Estudar e praticar, é o que vai fazer você se tornar cada vez melhor — isso vale pro músico, pro cozinheiro, pro pintor, pro atleta etc.

Eu jamais afirmaria que um Stradivarius não é um instrumento extraordinário. Mas eu digo que não serve para alguém que está iniciando seus estudos na música. Se eu comprasse um, seria um enorme desperdício de dinheiro.

Deixe para comprar uma câmera melhor, quando você sentir que as especificações técnicas da atual, não suprem mais as suas necessidades.

Edição de imagem

Se você está sempre comparando suas imagens com as dos outros nas redes sociais, vale a pena considerar o fato de que é muito comum fotógrafos editarem suas imagens.

Alguns editam pesadamente — a ponto de perguntar “se era para criar uma foto inteiramente nova, deste jeito, nem precisava usar a câmera…”

A edição de imagens é um capítulo à parte na fotografia. Alguns fotógrafos editam intensamente, outros editam um pouco e há quem deteste editar.

De repente, o que você está olhando e admirando nas redes sociais, são imagens extremamente bem editadas e, possivelmente, tiradas com uma câmera de tecnologia inferior a do seu celular.

Uma câmera de nível profissional faz tudo pra gente!

Isso não é verdade.

Enquanto o celular tem uma penca de funções automatizadas, que você jamais imaginaria, o projeto de uma câmera profissional (ou de entusiasta) parte do pressuposto de que o fotógrafo sabe o que quer. Portanto, deixa o máximo de funções sob o seu controle.

Todas as câmeras de nível profissional/entusiasta que eu conheço têm opções automáticas. Mas o forte destas ferramentas, está sempre no modo “manual” ou “criativo” — aonde temos muita flexibilidade e menos automação, para construir as imagens que desejamos.

Em outras palavras, pode ser até mais difícil fazer fotos decentes com uma câmera profissional, se você não conhece técnicas básicas da fotografia.

Conclusão

Só você pode responder a estas perguntas, em relação à sua fotografia. Seja sincero(a), com você mesmo(a), sempre.

No final das contas, sabe o que vai sair muito, muito, muito caro?! Vai ser deixar a sua câmera na estante, toda vez que sair de casa.

Na verdade, a grande pergunta é: o equipamento vai ficar na estante, pegando poeira, ou na sua mão?! Vai ser sua grande companheira de aventuras ou vai ficar esquecida em uma das prateleiras da sua casa?

Qual a melhor lente para comprar, depois da lente do kit?

Quando falamos de câmeras APS-C ou cropped, a lente do kit, usualmente, é uma 18-55mm.

Canon, Nikon e Fujifilm usam estas distâncias focais nas suas lentes de kit APS-C.

Câmeras de lentes intercambiáveis (que podem ser trocadas), costumam ser vendidas com uma objetiva de zoom padrão, chamada “lente do kit”.

Há uma crença generalizada de que são de qualidade inferior — o que não corresponde à verdade.

Objetiva Canon EF-S 18-55mm com estabilização de imagem. Foto: canon.com.br

Outra crença generalizada, é de que a próxima lente a ser adquirida tem que ser uma 50mm ou uma “cinquentinha” — e, em muitos casos, isto também não corresponde à realidade ou às necessidades das pessoas.

Em meio a tantas “crenças” e mitos, como é possível tomar uma decisão mais acertada? Que tal repassarmos mais alguns questionamentos?

Precisa comprar outra lente, logo depois que comprou a câmera?

Não acredito e nem advogo que você compre absolutamente nada.

Pelo contrário. Se acabou de comprar a sua primeira câmera, você precisa aprender a usá-la, entender como funciona e absorver o máximo de técnicas de fotografia possível.

Como geek, acredito em aprender a usar e a extrair o máximo possível dos equipamentos que tenho em minhas mãos.

Tudo tem limitações, que a gente deve tentar vencer ou contornar com técnica e estudo.

Sair para fotografar todo dia, ou sempre que puder, é o melhor que você pode fazer para apurar as suas técnicas.

A partir daí, o melhor investimento passa a ser o conhecimento — que pode vir na forma de livros sobre fotografia, cursos presenciais ou online, workshops, blogs, vídeos no Youtube, podcasts etc.

Normalmente, uma nova técnica tem muito mais impacto na nossa fotografia do que um equipamento novo.

Qual distância focal você gosta mais de usar?

Depois de um bom tempo brincando com a sua câmera e a lente zoom do kit, é provável que exista uma distância focal que você gosta mais de usar para fazer suas fotografias.

Vamos supor, dentro do zoom de uma lente 18-55mm, você pode gostar mais de trabalhar em 18mm, ou 24mm, ou 35mm, ou 55mm…

Objetiva Fujinon XF18-55mmF2.8-4 R LM OIS. Foto: loja.fujifilm.com.br

Você ainda não sabe qual destas distâncias focais é a sua preferida? Então faça um teste bem simples.

Selecione uma delas e saia para fotografar todo dia, durante um mês — usando apenas a distância focal selecionada.

Sugiro passar 1 mês fotografando exclusivamente na distância focal de 50mm; No outro mês, use exclusivamente 40mm e, por fim, tente 24mm.

Ao fim desta jornada, você saberá com exatidão o que é melhor para você.

Se optar por fazer isto, nem precisa ler o restante deste post — por que você já terá conseguido a melhor resposta que poderia obter.

Mas “eles” dizem que eu preciso comprar a 50mm…

Objetiva Canon EF 50mm f/1.8. Foto canon.com.br

Este é um conselho muito comum, dado aos iniciantes. E há vários problemas nele. Me deixe elencar alguns:

  • A 50mm (ou a “cinquentinha”) oferece a mesma perspectiva, ou ângulo, do olho humano — ou seja, dá uma dimensão mais realista para a sua fotografia.

O problema é que não é uma verdade absoluta. Para alguns fotógrafos, 40mm é uma distância focal mais natural. Para outros, é 35mm.

Novamente, você precisa verificar qual é a que você mais gosta de usar.

  • A referência da 50mm é o sensor fullframe, não o sensor APS-C. Aqui, o problema é o seguinte: em um sensor APS-C, uma lente 50mm vai dar um perspectiva equivalente a 80mm (Canon) ou 75mm (nas outras marcas). E isto pode ser um ângulo muito fechado para alguns fotógrafos.

Sensores APS-C, são também chamados de “cropados” ou cropped — que quer dizer recortado em inglês.

O APS-C é 1,5 ou 1,6 vezes menor em relação ao sensor padrão full frame.

Em um sensor APS-C, a distância focal de 24mm, pode estar mais próxima da perspectiva “normal” do olho humano do que a 50mm.

Em algumas marcas, como a Fujifilm, as lentes 23mm são sugeridas como normais ou standard para as câmeras com sensor APS-C. A Olympus, já sugere 25mm.

Conclusão

Como vários outros temas da fotografia, este não é um assunto que se esgota fácil.

Há vários pontos de vista a ser considerados e muitos deles podem estar certos ao mesmo tempo.

Lentes não são baratas e, se você estiver com dúvidas, certamente, deve esperar um pouco mais antes de fazer qualquer compra neste sentido.

Deixe as suas dúvidas nos comentários, se quiser.