A emoção na sua fotografia

É muito comum ter sentimentos agarrados ao nosso trabalho artístico, como fotógrafo, videomaker, escritor etc. Neste texto, me refiro ao trabalho do fotógrafo, mas os conceitos valem para qualquer tipo de ocupação profissional ou artística.

Há várias razões para termos diferentes tipos de sentimentos ligados ao nosso trabalho. Não é uma coisa ruim ou boa. Mas é algo de que você precisa estar consciente, quando estiver olhando e analisando a sua produção.

Câmera fotográfica sobre uma mesa de madeira.
Minha câmera e a bolsa 😉

Como as emoções impregnam uma imagem

Há várias formas para as emoções encontrarem um caminho para se infiltrarem no seu trabalho, seja foto, vídeo, texto, música etc.

Muitas vezes, é inevitável. Às vezes, é desejável. O problema é que pode te levar a sobrevalorizar a sua criação, dando-lhe uma relevância maior do que realmente tem.

Uma outra forma de colocar isso: você pode estar dando ao seu trabalho um significado que as outras pessoas não conseguem enxergar — simplesmente, por que elas não fazem a mesma associação emocional que você.

As pessoas envolvidas na foto têm significado limitado

Como fotógrafo, é óbvio que alguns retratos terão um significado maior para você do que para qualquer outro indivíduo.

A foto de um ente querido, em um determinado momento de sua vida, pode despertar uma torrente de emoções, quando você a olha. Mas, para as outras pessoas, é apenas mais um retrato normal.

As fotos de família ou de amigos mais íntimos são as mais óbvias, neste caso.

O trabalho que você teve para obter a foto

Quem faz trilhas ou costuma fazer esforços desmedidos para obter imagens de pássaros e vida selvagem, frequentemente têm um enorme empenho e esforço pessoal ligado a algumas de suas fotos.

O fato é que os espectadores não estavam lá e não fazem a menor ideia do que você passou para obter a imagem.

O preço que você pagou pelo equipamento e o trabalho que teve para organizar e preparar o local do registro… nada disso aparece na foto.

Se você tem a intenção de adquirir equipamentos caros, leia 8 razões para comprar (ou não) lentes Canon Série L, aonde expliquei que você compra uma lente premium para você. O seu sacrifício financeiro, para adquirir o equipamento, não ficará evidenciado nos vídeos ou nas fotos.

As horas que você investiu na edição

Pessoalmente, não sou de ficar horas sentado, editando imagens.

Mas eu sei o quanto é difícil, depois de dispender um bom tempo “tentando ajeitar” ou fazer ficar bonita uma foto, simplesmente reconhecer que ela é ruim e o seu lugar é na lixeira.

Usar a opção de desfazer, do editor, pode já ser bastante difícil, depois de um grande número de pinceladas.

Uma imagem ruim pode dar muito trabalho na edição e, com isso, prejudicar seriamente a claridade do seu julgamento sobre a sua qualidade.

Aliás, esta é uma boa razão para você fazer a seleção das fotos, antes de começar o trabalho de edição.

Saiba separar o esforço da imagem.

Aceitar que um post é ruim e apagar todo o texto, que levei a manhã inteira para escrever, é doloroso — mas é necessário, mais vezes do que eu gostaria de admitir.

E isso nem é “emoção”. É apenas dedicação e energia investida — e é difícil aceitar que foi em vão.

Saber separar o tempo e o suor investidos do resultado final é fundamental, para conseguirmos avaliar de maneira mais clara e autêntica se o nosso trabalho é realmente bom ou não.

O tempo ajuda a clarear

Deixe “na gaveta” por uma semana ou duas.

Quando voltar da aventura ou da sessão de fotos, faça a transferência para o computador e o backup e deixe as fotos lá, por alguns dias, semanas ou meses.

Durante este período “as emoções esfriam” e tendem a se dissipar. Mais tarde, quando for avaliar as imagens, você terá um olhar menos conectado e menos sentimental.

Isso permitirá fazer uma análise mais desapaixonada e isenta do resultado obtido.

Este mesmo texto, que você está lendo, agora, já ficou “na gaveta” por pelo menos 2 semanas. Depois foi revisado e, eventualmente, entrou na fila para ser publicado. E ainda assim, terei deixado passar erros rsrsrs 😉

As minhas fotos, do mês de Março, só vou olhar em Abril. Desta forma, consigo desconectar e arrefecer a maior parte das emoções e olhar com mais apatia para o meu próprio trabalho.

Conclusão

Fazer a curadoria da própria obra faz parte do trabalho de qualquer fotógrafo, videomaker, escritor etc. Pode ser difícil, mas é necessário.

Se você terceirizasse esta atividade, perderia uma oportunidade de ouro para se aperfeiçoar na sua arte.

Aprender a subtrair o valor emocional e a memória do trabalho que você teve para criar uma imagem, pode ajudar imensamente a melhorar a qualidade do que você produz.

Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Russian Doll". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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