Por que o Linux é tão fácil de atualizar?

Há muito tempo as distros mais populares do GNU/Linux possuem mecanismos ou ferramentas de atualização automatizada.

Depois que você clica/toca o botão para autorizar o procedimento, ele passa a transcorrer nos bastidores, sem atrapalhar o que você estava fazendo.

Mas, como chegamos até aqui?!

Transparência: através do changelog, você tem acesso às anotações do(a) desenvolvedor(a) de cada software, explicando o que será atualizado.

Como funciona o modelo tradicional de atualização dos softwares proprietários?

Projetos de software, como o Windows, que iniciou no tempo do MS-DOS (lá nos anos 70), sempre foi o de empacotar todo o software necessário para o sistema operacional funcionar e vender.

Depois disso, a empresa começa a trabalhar na próxima versão, para empacotar de novo e vender. Eventualmente, pode entregar atualizações de segurança ou correções de erros antecipadamente — o que é altamente prejudicial a este modelo de negócios. O ideal é entregar estas atualizações e correções dentro do próximo pacote, que ela vai te vender. É um ciclo.

Este é o modelo tradicional dos softwares proprietários e tem alguns problemas:

  • Para os usuários, é ruim ter que ficar pressionando para obter as correções e as atualizações de segurança. Às vezes, isso precisa passar pela via judicial.
  • Para as empresas, é ruim ter que voltar a trabalhar em um código pelo qual não vão receber absolutamente nada.

Outro problema deste modelo é que, quando o cliente fica satisfeito com o que tem, ele não volta para comprar a nova versão. Para conseguir convencer as pessoas a fazer uma nova aquisição, algumas situações precisam ocorrer:

  • O software pode parar de funcionar adequadamente;
  • A nova versão oferece atrativos interessantes e muita propaganda para promovê-los;
  • São criadas incompatibilidades artificiais, de forma que os arquivos criados no software da versão mais nova não possam ser usados na anterior. Assim, na medida em que as outras pessoas/empresas começam a migrar, vão forçando todos os outros a migrar também. É antiético, mas as empresas sempre conseguiram se safar disso.
  • Forçam a barra e só incluem as atualizações de segurança e correções de bugs na versão mais nova.

O “novo modelo” de comercialização de software proprietário

Não é difícil imaginar que o modelo tradicional causa desgastes para todo mundo. Ainda assim, não impediu que grandes corporações de desenvolvimento e venda de software se tornassem multi bilionárias.

Nas últimas décadas as grandes companhias de softwares proprietário, vêm impondo um modelo de negócios baseado em serviços — ou seja, fazer os usuários/empresas pagam aluguel, em vez de comprar.

Na teoria, isso funciona bem. Você mantém a empresa, enquanto ela trabalha nos programas — fazendo atualizações de segurança, corrigindo erros e, supostamente, inovando.

Neste modelo, o fluxo de entrada no caixa, é contínuo.

É uma mudança de paradigma, inclusive para os usuários. Agora, a conta chega todo mês e é melhor pagar, se quiser continuar usando os programas.

As atualizações dos Softwares Livres

Atualizações críticas de algumas bibliotecas do sistema podem requerer uma reinicialização. Mas você continua no controle sobre a hora de fazer atualização e de reiniciar.

Não há incompatibilidades que impeçam de comercializar Software Livre em pacotes. Algumas vezes, você o adquire dentro de um “pacote”, quando baixa a sua distro favorita, dentro de um arquivo .ISO ou quando compra um CD/DVD/Blu-ray com tudo o que precisa dentro.

Depois que estiver instalado no seu computador, as atualizações seguem à medida em que são desenvolvidas.

Nos últimos anos, algumas distribuições GNU/Linux optaram pelo rolling release, em que deixam de existir as “versões prontas de softwares”, você apenas segue atualizando. Alguns exemplos:

  • OpenSUSE Tumbleweed
  • Arch Linux
  • Debian Testing, que é a minha favorita.

Dentro deste modelo, o desenvolvimento e as atualizações são constantes e os “números” das versões têm menor importância para o usuário final. Alguns analistas dizem que este é o futuro para a maioria das distribuições.

O modelo do Software Livre sempre foi baseado em serviços e não na venda de pacotes de softwares. Portanto, as atualizações constantes não prejudicam os negócios — pelo contrário! Sempre foram parte fundamental da relação entre desenvolvedores/empresas e seus clientes.

Por isso é que é tão fácil e fluido fazer atualizações na sua distro favorita — qualquer que ela seja!

Atualizações, correções de bugs e adição de novos recursos são acontecimentos naturais e é tudo que se espera quando estamos usando a nossa distro favorita.

Softwares livres são projetados para a atualização constante

Fazer a atualização “manualmente”, pelo terminal é muito comum entre usuários GNU/Linux. Eu faço por que é simples e mais divertido.

Dentro de uma concepção de prestação consistente de serviços, nada é mais natural do que continuar trabalhando em um software, para aperfeiçoá-lo e entregar as novidades, assim que os testes terminarem.

Muitas distribuições são instaladas em servidores importantes, que não podem ser desligados ou reiniciados à toa.

Desde o início, o kernel Linux e de grande parte dos softwares que o acompanham vêm preparados para aceitar mudanças on-the-fly, ou seja, sem parar de trabalhar ou reiniciando apenas o serviço ou pedaço de software que recebeu um upgrade.

Não é incomum encontrar servidores em funcionamento ininterrupto, por vários anos, sem terem sido desligados.

A necessidade de interromper ou “dar um reset”, é a exceção neste universo.

Se você lembrar, durante a própria instalação, já dava para você usar o sistema operacional livremente.

É totalmente oposto à realidade dos usuários de um “outro” sistema operacional, que foram acostumados a resolver problemas reiniciando ou reinstalando tudo.

Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Russian Doll". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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