Como as imagens da Canon EOS 6D Mark II se comparam com as da EOS R, R6 e R5

Não há dúvidas de que estamos caminhando firmemente para as câmeras mirrorless (sem espelho). E alguns vloggers (ou youtubers) têm apregoado entusiasticamente, que são um “divisor de águas” para a fotografia.

Outros, mais prudentes, têm dito que não é a mesma revolução que foi a “mudança do filme para o digital”.

Ao analisar a letra fria das especificações técnicas, fica óbvio que não há uma revolução em andamento, além do marketing e do click baiting. De certa forma, a dinâmica do YouTube incentiva a “dramatização” de certos assuntos.

Análise das imagens das câmeras EOS R, R6 e R5 dentro do Darktable.

Entretanto, há evoluções tecnológicas visíveis e concretas. O ponto é: estas evoluções, são suficientes para produzir imagens significativamente melhores do que as que você já faz com a sua DSLR?!

Neste post, faço uma análise das imagens tiradas e gentilmente disponibilizadas online pelo vlogger James Reader.

De posse da Canon EOS R5, EOS R6 e da EOS R, ele fez um vídeo (os links estão todos lá embaixo!) analisando o desempenho do sensor de cada câmera.

E, quando falamos de “sensor”, aqui, nos referimos ao conjunto: sensor, processador de imagens e o software interno. É o desempenho deste conjunto, que está sendo examinado.

Especificações técnicas

Tecnicamente, não tenho como reproduzir as mesmas imagens que o James Reader, com a minha EOS 6D Mark II — nem qualquer outra câmera. As condições de iluminação dele (mesmo as do estúdio) são irreproduzíveis.

Mas, caminhando para o 4o ano com a minha câmera, sei muito bem do que ela é capaz. Da mesma forma, espero que você saiba do que a sua câmera é capaz, frente ao resultado do Reader.

Segue uma tabela com algumas especificações técnicas. Se tiver interesse em ver a relação completa, pegue os links nas Referências, ao final do post.

6D IIRR6R5
Resolução6240 x 4190
(26,2 MP)
6720 x 4480
(30.3 MP)
5472 x 3648
(20 MP)
8192 x 5464
(45 MP)
Tam. do píxel5,75 µm5,36 µm6.56µm4.39µm
ISO100-40000100-40000100-102400100-51200
IBIS *NãoNãoSimSim
Tipo RAWCR2 14-bitCR3 14-bitCR3 14-bitCR3 14-bit
ProcessadorDIGIC 7DIGIC 8DIGIC XDIGIC X
Tamanho médio dos
arquivos
25 MB29 MB20 MB43,5 MB
* In Body Image Stabilization: Sistema de estabilização do sensor.

Como você pode observar, as especificações não são tão distantes entre as máquinas analisadas.

Os tamanhos dos arquivos

Tela de edição do Darktable.

Eu tinha um preconceito contra câmeras com uma alta contagem de megapixels, ou seja, com sensores de alta resolução. Imaginava que isso pudesse ter um impacto significativo no meu fluxo de trabalho, por serem, supostamente, grandes e pesadas.

No meu notebook, com um processador básico Intel i3, 16 GB de memória RAM e as imagens armazenadas em um SSD interno (Nvme) não senti uma grande diferença no carregamento.

Os arquivos da R5, carregavam entre 3 e 4 segundos e os da R6, entre 2 e 3 segundos, dentro do Darktable. É claro que, se tivermos uma fila com 100 ou mil fotos, a somatória desta diferença de tempo terá uma importância maior — principalmente no processo de transferir as imagens pro computador ou pro celular.

Em termos de armazenamento, um drive de 1 TB pode armazenar aproximadamente 40 mil arquivos RAW da EOS 6D Mark II, contra aproximadamente 23 mil da EOS R5. Em outras palavras, você levaria metade do tempo para encher um drive de fotos da Canon EOS R5, quando comparado à EOS R6 ou à 6D II.

O maior impacto, é no armazenamento dos vídeos. Eu crio muito pouco conteúdo em vídeo, mas, convenhamos, que filmar em 4K ou 8K, pode ocupar um enorme espaço em bem pouco tempo. Isso, fora a capacidade de processamento, demandada durante a edição.

Voltando para as fotos, não creio que precisaria investir em um computador novo ou comprar novos HDs para backup, caso tivesse que usar uma câmera de 45 Megapixels. Se obter imagens, no dobro da resolução atual, fosse fundamental para mim, não veria problemas (além da minha conta bancária) para ir correndo comprar uma EOS R5.

Os desempenhos das câmeras nas sombras e nas altas luzes

Os cenários, escolhidos por Reader, para fazer esta comparação, são na maioria externos. Neste caso, as condições de iluminação mudam a cada segundo. A posição da Terra em relação ao Sol muda. As nuvens estão em constante movimento e, como consequência, a luz que você tinha a, meio minuto atrás, já não é mais a mesma.

Fora do estúdio, é impossível termos uma luta justa. Mesmo assim, vamos prosseguir.

A recuperação nas sombras é possível em todas elas. Veja a imagem original abaixo.

Foto de paisagem obtida com a Canon EOS R

Depois de aplicar um aumento de +4 EV para ver o que acontecia, há uma degradação perceptível na qualidade, mas me pareceu que a imagem da R5 sofreu um pouco mais.

À esquerda, imagem da Canon EOS R5, seguida da imagem da EOS R.

Infelizmente, a variação nas condições de iluminação influem fortemente na quantidade de informação gravada nas áreas de sombras e de altas luzes. Se levarmos em conta os dados EXIF, dos arquivos, houve variação no tempo de exposição — 1/100s na EOS R5 e 1/160s na EOS R, ou seja, mais de meio EV!

Como veremos, em todas as análises destas imagens, a EOS R5 sempre vai “sofrer por ter resolução mais alta”: tudo fica mais evidente nela, seja para o bem ou para o mal.

Em uma comparação bem subjetiva com a minha EOS 6D Mark II, tenho o costume de sempre subexpor um pouco as minhas fotos, por que é sempre mais fácil recuperar as sombras do que as altas luzes, na pós-produção.

Tons de cores

Nas fotos obtidas em estúdio, com controle sobre a iluminação, é possível obter uma comparação mais justa e próxima do real.

As cores são processadas de maneira ligeiramente diferente:

  • A Canon EOS R oferece tons um pouco mais frios;
  • A Canon EOS R6, tem tons mais quentes. Alguns diriam mais amarelados/alaranjados
  • A Canon EOS R5 parece oferecer um meio termo entre as duas anteriores.
Da esquerda para a direita, as fotos foram tiradas com as câmeras Canon EOS R5, EOS R6 e EOS R, respectivamente.

No final das contas, isso nem importa, se você costuma sempre editar as suas imagens — então elas sempre irão acabar do jeito que você quer.

Tampouco é possível iniciar uma discussão sobre “qualidade”, já que “gostar ou não” das cores que uma câmera entrega é totalmente subjetivo.

O desempenho com ISO alto

A Canon EOS 6D mark II tem um conjunto de sensor, processador e software que trabalha bem em valores altos de ISO. Já tive fotos, feitas com ISO 12800, aprovadas e vendidas em banco de imagens (Shutterstock).

Claro que usei processamento, para reduzir o ruído — e qualquer um teria que fazer o mesmo, com as imagens das Canon Rx, objetos desta análise.

Por isso, não me impressionei com o desempenho em ISO alto das R. De maneira nenhuma!

Desempenho em ISO 12800 das câmeras Canon EOS R5, R6 e R, respectivamente, da esquerda para a direita.

Aparentemente, há um desempenho melhor da EOS R6 em relação às outras duas. Mas vamos lembrar que ela tem resolução de 20 megapixels contra os 45 ou 30 megapixels das outras. Ou seja, os defeitos (e as qualidades) sempre ficarão mais evidentes em alta resolução.

Conclusão

Canon EOS 6D Mark II com a objetiva Canon EF 24-105mm f4L IS II USM e um velho flash Speedlite Canon 220-EX.

Após uma análise, que leva em conta apenas o desempenho dos sensores, chegou o momento de responder à pergunta inicial deste post.

Os sensores destas câmeras trazem melhorias significativas às fotos?

Como fotógrafo, não consegui ver absolutamente nada que pudesse ser deslumbrante, nas imagens destas câmeras.

A Canon EOS R, usa um sensor de 2016, o mesmo da DSLR EOS 5D Mark IV, extremamente testado, por milhares de profissionais, a esta altura. Na minha opinião está no mesmo nível que os sensores das outras.

Como dono de uma EOS 6D Mark II, fiquei impressionado com a qualidade do que já tenho em mãos. Estou feliz em saber que tenho um equipamento capaz de fazer o mesmo trabalho que estas câmeras, sem problema algum.

Pelo que vi, um fotógrafo com uma R5 ou R6 ainda precisa ter o mesmo cui