A versatilidade das lentes prime

É muito comum, ao comparar objetivas prime em relação às zoom, falar sobre a flexibilidade e a versatilidade das lentes zoom, por que elas têm distâncias focais variáveis.

Neste post, eu gostaria de argumentar que as lentes de distância focal fixa (as prime), também são versáteis, se analisarmos outras perspectivas. Se você discorda de mim, ficarei satisfeito de ler o seu ponto de vista sobre o assunto, nos comentários.

A Canon EF 50mm f 1.8 STM é uma das lentes prime mais vendidas da história, pelo seu equilibrado desempenho óptico em relação ao custo. Leia o review aqui.

Todos sabemos que as lentes zoom são convenientes e a maioria de nós, provavelmente, começou a sua jornada na fotografia com uma delas. Eu comecei com a Canon EF-S 18-55mm e fiz algumas das minhas fotos favoritas com esta objetiva.

Com o tempo, é natural esgotar as possibilidades da lente do kit e continuar a jornada com um novo equipamento. A minha primeira lente prime foi a Sigma 30mm f 1.4 EX DC HSM (leia o review dela aqui).

Nos últimos anos, tenho adorado sair para fazer fotos de rua e ensaios com a Canon EF 50mm f 1.4 USM (o review dela está aqui).

A outra prime que me faz companhia frequente é a Canon EF 85mm f 1.8 USM.

Na maior parte das vezes, uso estas duas últimas objetivas para fotografia de rua, paisagens, da cidade, fotos de flores, de prédios, retratos etc.

É comum ouvir que as zoom são mais versáteis (e eu mesmo já disse isso, várias vezes) — o que é verdade, na maior parte dos casos.

Contudo, uma objetiva prime também consegue ser bastante (ou mais) flexível, a depender da tarefa que se deseja executar.

Com algumas exceções, dentro da mesma faixa de preço, uma prime será melhor, opticamente, terá maior capacidade de abertura do diafragma e menos peso do que uma zoom, do mesmo fabricante. Estes fatores também são decisivos para determinar se uma ferramenta é ou não mais versátil que outra.

Uma prime pode substituir uma zoom?

Embora eu não faça isso, sei que ao fotografar um evento, na maioria das situações, eu poderia ter um desempenho comparável ao da minha Canon EF 24-105mm f 4L IS II USM com a 50mm f 1.4.

Mesmo usando uma 24-105, costumo fazer a maior parte do trabalho na distância focal dos 50mm. Quando necessário, uso as distâncias focais das extremidades (grande angular, aos 24mm ou telefoto, aos 105mm).

Se houver espaço para dar alguns passos para trás, raramente, uso os 24mm. E se eu tiver condições de chegar mais perto, dificilmente, dou o zoom até os 105mm.

Ou seja, eu poderia fazer tudo com a “cinquentinha”. Se houver espaço para me mexer, é claro!

E a 50mm f 1.4 USM tem algumas vantagens práticas em relação à EF 24-105mm f 4L IS II USM:

  • Tem menor custo de propriedade (TCO): o preço é menor, tem retorno mais rápido do investimento e o seguro é mais barato.
  • É menor e mais leve.
  • Tem melhor desempenho em condições de baixa luminosidade.

A versatilidade de uma prime

A qualidade óptica da EF 50mm f 1.4 é tão boa que, se eu não puder chegar perto do assunto, sempre é possível fazer um recorte na edição — o que equivale a um “zoom digital”. A objetiva tem qualidade suficiente para isso.

Claro que você perde uma quantidade de megapixels com este tipo de procedimento mas, o que sobra, usualmente, costuma ser mais do que satisfatório para postar nas redes sociais ou para um pequena impressão.

A minha câmera atual tem um sensor de 26 megapixels. Portanto, se eu fizer um recorte de 1,6 x na edição de uma imagem obtida com a 50mm, vou terminar com uma imagem de 16,25 megapixels, com um enquadramento equivalente ao de uma objetiva 80mm.

Na abertura f 2.8, a 50mm f 1.4 tem qualidade óptica o suficiente para permitir um recorte de 2,1x na maioria dos casos, me dando o enquadramento de uma 100mm — com o custo de perder aproximadamente 13 megapixels da imagem.

Em síntese, embora não possa fazer o zoom óptico com uma 50mm, ainda é possível fazer o digital, na pós produção. Ou seja, pagando o preço da perda de resolução, dentro da 50mm prime, eu tenho uma objetiva “zoom 50-105mm f 1.4″.

Infelizmente, esta lógica não pode ser aplicada inversamente — ou seja, caso eu precise de um enquadramento mais amplo. Se não tiver como dar alguns passos para trás, a coisa fica complicada.

Enfim, sob este ponto de vista, creio que uma prime tem versatilidade para substituir uma zoom, se for necessário.

Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Russian Doll". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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