Tecnicamente, o que é uma lente normal?

Até o fim dos anos 80, havia pouco acesso a uma variedade maior de distâncias focais, quando o assunto era lentes. A maioria das lentes tinha distância focal fixa, ou seja, eram lentes prime.

A tecnologia para a construção das zoom estava engatinhando e as objetivas mais consistentes e confiáveis ainda eram as de distância focal única.

Canon EF 50mm f 1.4, um projeto de 1993, com pouquíssimos defeitos. leia o review aqui.

A maioria das câmeras, era de filme 35mm, um formato que, hoje, chamamos de full frame. Para estas máquinas, a lente do kit, usualmente, era a 50mm — ou algo próximo a esta distância focal, como veremos mais pra frente, ainda neste post.

Após os anos 80, as lentes zoom se tornaram melhores e mais acessíveis e, algumas versões delas passaram a substituir a “cinquentinha”, no kit básico.

Hoje, as 50mm continuam populares. É comum as fabricantes oferecerem mais de uma versão — uma com preço acessível e outra voltada aos profissionais.

rolo filme fujifilm superia
Os sensores full frame têm o seu tamanho baseado nos filmes 35mm (ou 135mm). Ou seja, oferecem o mesmo enquadramento ou ângulo de visão.

O campo de visão

Outra coisa que varia entre as fabricantes é que, nem sempre, a lente básica é uma “cinquentinha”. Para algumas fabricantes, a objetiva básica é uma 25mm, como é o caso da Olympus.

Neste sentido, comumente, queremos dizer que, embora as distâncias focais variem, o campo ou o ângulo de visão é mais ou menos o mesmo: algo entre 46° e 56°.

Por exemplo, o ângulo de visão de aproximadamente 56° é obtido:

  • com as objetivas de 40mm em câmeras com sensor full frame ou
  • com as objetivas de 27mm em câmeras com sensor APS-C.

Já, os 46° são obtidos:

  • com as 50mm (full frame) ou
  • com as 33mm (APS-C).

Qual é o campo de visão “normal”?

Fujifilm Fujinon 27mm f 2.8 R WR: Objetivas com campo de visão normal, são muito fáceis de fazer e podem ser compactas. Esta objetiva, além da excelência óptica e do preço atrativo, tem resistência aos elementos, como poeira e respingos de água.

Tecnicamente, o ângulo de visão, dito “normal”, é aproximadamente 56°. E as lentes que produzem este campo de visão, geralmente, são muito fáceis e baratas de se produzir.

Neste ângulo, as lentes precisam ter menos elementos, para eliminar as aberrações ópticas e, portanto, podem ser compactas e finas — como a Fujifilm Fujinon 27mm f 2.8 R WR, para sensores APS-C.

Com as lentes de ângulo mais aberto, é necessário curvar bastante a luz, para fazê-la atingir o sensor ou o filme no local certo. O mesmo, ocorre com as teleobjetivas, só que a curvatura é na direção oposta, por que têm ângulos mais fechados.

Quando a lente tem uma distância focal muito próxima da medida da diagonal do quadro em que será registrada — o fabricante precisará fazer muito pouca ou quase nenhuma engenharia para conseguir levar os raios de luz até o sensor.

A distância entre um canto do sensor a outro, em diagonal, é o mesmo valor da distância focal normal da lente. Em um sensor full frame, o valor é aproximadamente 43,3 mm e em um sensor APS-C (Canon), é aproximadamente 26,6 mm.

Neste caso, estamos falando de aproximadamente 43.3mm em um sensor full frame ou filme 35mm.

Já, para os sensores APS-C, a distância focal ideal, nestes termos, é aproximadamente 28,3mm (Nikon, Sony e Fujifilm) ou em torno de 26,6mm (Canon).

Sempre que estivermos falando de “tamanho de sensor”, leve em conta que as dimensões variam (até mesmo) dentro da mesma marca. Portanto, os valores abordados aqui, são aproximados.

Se quiser saber mais sobre o assunto, a Wikipedia tem um tópico sobre o assunto.

Por que os 50mm se tornaram padrão de mercado?

As 50mm (full frame) ou as 33mm (APS-C), que produzem um campo de visão de 46° não estão muito longe dos 56°, que são o que se consideraria “normal”.

Tenha em mente que o “normal”, aqui, é também um conceito subjetivo.

O design gaussiano, criado em 1821, foi muito usado em telescópios e acabou se consolidando como um projeto padrão também para as objetivas de 50mm. Este tipo de formulação permite manter um número relativamente baixo de elementos ópticos — 5 ou 6, nas construções mais básicas.

Com aproximadamente 2 séculos de existência, o design gaussiano já é uma fórmula trivial, amplamente difundida e conhecida (em seus pontos fortes e fracos). Seus problemas ópticos podem ser resolvidos facilmente e a custos muito baixos.

Em termos de mercado pode ser mais fácil vender um produto com um nome (ou número) redondo, múltiplo de 10, de 5, de 2 etc., entre outra razões.

Mas, o fator mais importante foi que a fabricante alemã, Leica, já havia estabelecido os 50mm (46°) como padrão desde 1925.

Historicamente, a Leica é uma “criadora de padrões”, antes da Nikon e a Canon adquirirem o domínio do mercado da fotografia.

A produção das 50mm f 1.8, em escala, também ajuda imensamente a baixar os custos de produção.

Objetiva compacta da Nikon, Nikkor Z 40mm f 2.0.

Por que são tão atraentes?

Há várias razões práticas para adquirir uma “cinquentinha”, além do preço, atualmente.

Em função da enorme popularidade destas objetivas, elas se tornaram extremamente fáceis (e baratas!) de produzir. Todas as marcas têm versões acessíveis de objetivas nesta distância focal.

Em outras palavras: você pode comprar uma “cinquentinha”, de qualquer fabricante, com excelente qualidade óptica, a um preço muito razoável.

Mesmo em câmeras com sensor APS-C, em que esta distância focal produz um ângulo de visão de aproximadamente 30°, as cinquentinhas são muito atraentes, para produzir retratos do torso para cima, por exemplo.

O que houve com os 43,3 mm?

Como sabemos, a distância focal normal, é aproximadamente 40 mm ou 27 mm, a depender do tamanho do sensor (full frame ou APS-C).

Objetivas que atendem a estas distâncias focais, existem e costumam ter preços bem acessíveis.

Para câmeras full frame, a Pentax produz a objetiva SMC 43mm f 1.9, por exemplo. A Canon oferece a EF 40mm f 2.8 STM. Ambas têm design compacto, estilo “pancake“.

Já, para as câmeras com sensores APS-C, há a 27mm da Fujifilm (já citada), a Canon EF 24mm f 2.8, a Nikkor Z 28mm SE etc. Todos são projetos compactos e de baixo custo.

Os desafios de fotografar com uma lente normal

Já sabemos que é possível obter uma objetiva, com excelente qualidade de imagem e bastante compacta, dentro de um campo de visão de 56° ou 46° e pelo preço de um jantar a dois em um bom restaurante.

Certamente, há coisas impossíveis de fazer nesta distância focal, como a fotografia de pássaros, para citar um exemplo.

Este ângulo de visão, também não é aberto o suficiente para fazer uma foto panorâmica ou obter aquele ângulo dramático das grande angulares.

Se você já tem uma câmera, com a lente do kit (18-55mm), ela já inclui todos estes campos de visão de que falamos, com a flexibilidade do zoom.

Lente de kit, Canon EF-S 18-55mm IS III STM com estabilização de imagem. Como lente zoom, ela abrange as distâncias focais entre 18mm e 55mm ou seja, um campo de visão variável entre 76° e 29°.

A lente do kit existe para isso: experimentar exaustivamente os campos de visão, antes de decidir a próxima compra.

Além disso, as objetivas prime costumam ter capacidades de abertura maior — frequentemente, igual ou superior a f 2.8, o que possibilita uma série de opções criativas — incluindo a fotografia noturna.

Por fim, se você usa uma câmera com sensor APS-C e acredita que a distância focal dos 50mm, tem um ângulo muito fechado (~30°), é possível que uma lente com distância focal entre 23mm e 35mm seja a melhor escolha para você.

Conclusão

Como você pode ver, o campo de visão normal é representado pelas distâncias focais (aproximadas):

  • 40mm, em sensores full frame
  • 27mm, em sensores APS-C

Os fabricantes produzem variações a partir daí. A 50mm é uma destas variações, com excelente custo benefício, assim como as 24mm estão dentro do círculo de confluência das 27mm, para as câmeras com sensores APS-C.

Assine a newsletter do site, para receber as atualizações do site!

Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Russian Doll". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Post comment

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: