Não existe exposição correta

Como fotógrafos ou videmakers, passamos muito tempo tentando determinar qual a exposição correta para uma cena. Aprendemos uma série de técnicas para aprender a chegar a este ponto.

Mas o ponto é que a exposição correta, é um valor subjetivo. O que é correto para um, pode ser totalmente errado para outro. Este valor depende muito da mensagem que você deseja passar.

O que é considerado “exposição correta”?

Usualmente, a “exposição certa” é aquela apontada pelo software da sua câmera. Você consegue acompanhar isso durante a reprodução da imagem no visor — observando o histograma de brilho.

Imagem do manual da Canon EOS 6D Mark II.

A função “Alerta destaque” pode ajudar a determinar quando há áreas da imagem sobre-expostas. Este alerta faz com que as partes mais claras da imagem pisquem em preto, intermitentemente.

Você pode ativar/desativar o “alerta destaque” no menu “Play” (azul) da sua câmera.

Outra forma de obter informações sobre a exposição é observar a “régua” dentro do viewfinder (ocular) da sua câmera.

A régua de medição da exposição mostra se a cena está bem exposta — de acordo com os parâmetros da câmera.

Estes são alguns dos instrumentos da sua câmera para mostrar quando há áreas sobre-expostas ou subexpostas.

Com estes alertas, a câmera informa se há áreas que já não estão mais retendo a informação — ou seja, você não vai conseguir recuperar estes dados na pós-produção. Aquela parte da imagem está “estourada” ou “queimada”.

Este é o conceito extremo de superexposição ou subexposição da sua câmera: é quando há áreas da imagem que não estão sendo mais registradas — por estarem claras ou escuras demais.

Contudo, uma imagem pode estar sub ou superexposta sem ter nenhuma área excessivamente preta ou branca. Lembre-se que o software está sempre em busca de um equilíbrio no brilho, na luminância.

A câmera não está sempre certa

O problema é que a câmera não tem “obrigação” de saber o que é certo ou errado. Quem precisa estabelecer o equilíbrio ou o desequilíbrio da imagem, que deseja criar, é você.

Em outras palavras, a responsabilidade criativa sobre as imagens é sua. Bem como, determinar as características que elas devem ter.

É, justamente, esta responsabilidade criativa que faz de você o autor/a autora de uma fotografia.

Para obter uma história envolta em mistério, é comum subexpor uma imagem, seja em vídeo ou em foto. É comum usar essa estratégia, para deixar menos detalhes à vista.

Fotos de casamento, em que você tem um vestido de noiva muito branco, é um caso em que a câmera tende a “querer” ajustar a exposição para menos — por que ela acha que as partes muito alvas do vestido estão superexpostas. Mas você sabe que não estão e precisa estar atento, para não voltar para casa com um “vestido cinza”.

Esta é que é a questão central da minha argumentação: é você quem decide qual é a exposição correta, não a câmera.

É importante “ler” as informações que a câmera oferece, mas sempre decidir por si mesmo.

A pós-produção

Para muitos fotógrafos, a “exposição certa” é sempre obtida na edição. O que fazem em campo, é registrar o máximo de informações possível, para ter poder de decisão posterior, em frente a uma tela grande, de alta definição, no conforto do seu estúdio/escritório.

Para isso, é importante estar atento ao histograma e aos alertas em relação às áreas sub ou superexpostas. Por que são áreas em que os dados estão se perdendo e, consequentemente, não estarão disponíveis para trabalhar depois.

Para este propósito, o conselho é fazer a exposição, na câmera, de forma a obter a maior quantidade possível de dados e evitar chegar aos extremos, nos quais ocorre a perda de elementos.

Conclusão

Se você prefere fazer suas fotos em JPG e postar logo em seguida, precisa estar atento para fazer a exposição “do jeito que você deseja”, enquanto está tirando as fotos.

Portanto, faça a exposição de acordo com o que você deseja comunicar.

Outra ferramenta, que você pode usar, é o recurso de bracketing, que permite tirar várias fotos em sequência, com exposições diferentes. O que permite escolher depois a imagem que estiver mais adequada ao resultado que você quer obter.

Para as pessoas que preferem editar com calma suas fotos, o ideal é fotografar em RAW e buscar a exposição que retenha a maior quantidade de detalhes da cena. Isso garante mais elementos para trabalhar e exercer a sua criatividade na pós-produção.

Esta é a minha abordagem, em campo: recolher a maior quantidade de informações possível, dentro da foto, para ter todos os ingredientes necessários para exercer a minha criatividade depois, na edição.

Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Russian Doll". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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