4 segredos para dominar a lente do kit

Frequentemente chamada de “lente do kit”, por que costuma acompanhar as câmeras APS-C, a 18-55mm é uma lente de propósitos genéricos — ou seja, é pau pra toda obra.

A lente do kit cobre, dos ângulos mais abertos ao telefoto. É uma ferramenta versátil para quem está iniciando na fotografia e deseja explorar o mundo da criação de imagens.

Eu reuni algumas técnicas que podem ajudar a tirar o máximo do seu equipamento.

Canon EF-S 18-55mm IS STM é a lente do kit das câmeras APS-C, de entrada, da marca.

Entenda as características da lente

Podemos dizer que as lentes do kit são as mais básicas de uma marca, com algumas variações:

  • na linha EF-M e RF-S, da Canon, as lentes do kit são as 15-45mm, ou seja, são lentes zoom com distâncias focais entre 15mm e 45mm. O mesmo vale para as câmeras Fujifilm.
  • na linha de câmeras APS-C de entrada, da Sony, as lentes de kit são 16-50mm.
  • Já, as DSLR APS-C de entrada da Nikon e da Canon, usam as 18-55mm.

Dentro destas gamas de distâncias focais, há muitas possibilidades de criação artística.

As lentes do kit são capazes de lidar com quase todas as cenas do dia a dia, seja em foto ou em vídeo.

Caminhe mais, se movimente mais

Muitos novatos tendem a ficar parados, no mesmo local, enquanto fotografam — se limitam a aumentar ou diminuir o zoom, para ajustar a sua composição.

Contudo, para obter o maior proveito de uma lente, o ideal é se movimentar. Caminhar e procurar chegar mais perto do assunto que você deseja registrar.

O motivo disso é que a perspectiva de estar fisicamente mais perto é muito diferente de dar um zoom de longe.

Até mesmo para quem deseja obter um plano de fundo mais desfocado, se aproximar mais do assunto, vai ajudar muito nesta tarefa.

Embora não seja uma objetiva voltada para a fotografia macro, usualmente, as 18-55mm permitem focalizar a menos de 30cm do assunto.

É uma distância curta o suficiente para obter detalhes de objetos em close-up.

Se a sua lente tiver a opção de estabilização de imagem, você pode fazer fotografias com velocidade de obturador muito baixas, o que permite trabalhar em condições de pouca luminosidade. Isso é um convite para fotografia de rua ou de paisagens à noite!

Domine a fotografia em ângulo aberto.

Todas as lentes de kit, citadas aqui, têm capacidade de fazer registros em grande angular — ou seja, entre 16mm e 24mm.

Livre-se do preconceito de que grande angular só deve ser usado para paisagens. Na verdade, tudo pode ser fotografado com grande angular, inclusive retratos.

O verdadeiro potencial de uma distância focal em grande angular está na sua habilidade de exagerar a perspectiva à sua frente. Isso cria linhas convergentes, que podem ajudar a criar uma composição em que estas linhas dirijam a atenção do espectador para um determinado ponto de interesse.

É possível fazer retratos com muito mais contexto, dentro de um ambiente, se você usar os ângulos mais abertos.

Por outro lado, a depender do assunto em questão, esta tendência a exagerar perspectivas, nas grande angulares, pode trabalhar contra você — ao dar a impressão de que alguns elementos estejam muito mais distantes do que realmente estão.

Domine os ângulos normais

Entre os 24mm e os 35mm, você obtém campos de visão normais, bastante similares à perspectiva do olho humano.

Imagens tiradas nestas distâncias focais, terão aparências mais naturais e confortantes para os observadores.

A desvantagem, aqui, é que as imagens tendem a ter menos impacto que as das grande-angulares e, portanto, necessitamos prestar mais atenção a detalhes e nos esforçar mais para obter uma perspectiva mais interessante.

Estas distâncias focais são muito boas para a fotografia de rua, retratos head and shoulder (cabeça e ombro) etc.

Tenha cuidado para manter as imagens alinhadas, para não dar a impressão de instabilidade na foto.

Como dominar o telefoto

Acima dos 35mm, já começamos a adentrar o território das telefoto-médias. Nesta zona, o campo de visão também é próximo ao do olhar humano, quando a atenção está concentrada em um objeto em particular.

É uma característica que facilita criar imagens em que o ponto central do foco é mais óbvio.

Diferente dos ângulos mais abertos, o ponto fraco do telefoto é a perda de contexto. Ou seja, é mais difícil incluir uma grande quantidade de informações do ambiente em que o assunto principal está inserido. O lado bom, é que haverá menos elementos competindo pela atenção do espectador.

Outra grande vantagem dos ângulos de visão mais fechados, é que são menos propensos às distorções de perspectiva, o que pode dar um tom mais natural ou mais charmoso aos retratos de pessoas.

Sempre que você precisar obter uma representação mais fiel do assunto a ser fotografado, as distâncias focais acima dos 35mm são mais adequadas.

Domine a arte do bokeh

O bokeh ou o desfoque de fundo pode ser obtido através de vários recursos e técnicas.

Ter uma lente com grande capacidade de abertura do diafragma ajuda bastante. Mas a perspectiva e a distância ajudam ainda mais. Deixe-me explicar.

Você pode conseguir um maior grau de desfoque do fundo ao aproximar o assunto da lente, ao mesmo tempo em que se distancia do fundo.

  1. Use a distância focal mais longa possível;
  2. Aproxime-se ao máximo do assunto e
  3. Procure obter uma perspectiva em que os objetos ao fundo estejam o mais distantes possível.
flower petal green bokeh
Botão de flor verde contra um fundo desfocado. Foto feita com a Canon SL-2 e a lente Canon EF-S 18-55mm IS II STM. Distância focal: 55mm; Abertura do diafragma: f/5.6; ISO 200; Velocidade do obturador: 1/500s.

Conclusão

Pode demorar um tempo, até dominar todos estes aspectos da lente do kit. Principalmente por que não é uma lente “tão básica” quanto se costuma dizer. Pelo contrário: ela tem muito a oferecer e você pode se divertir muito com ela, antes de sentir qualquer necessidade de comprar alguma coisa nova para a sua câmera.

Não tenha pressa. A fotografia é uma longa jornada nas nossas vidas. Aproveite para se divertir, enquanto percorre este caminho.

Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Russian Doll". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

1 Response

  1. Ótima matéria, parabéns…
    Sou um amante ( amador)da fotografia.
    Estou curtindo demais as matérias sobre o tema…

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