Como eu edito as fotos dos reviews

publicado

Toda análise de produto precisa ser o mais transparente possível. O objetivo é mostrar como ele é, como ele se comporta dentro da sua própria experiência.

Alguns reviewers vendem pacotes de presets e eu entendo que deseja mostrar as fotos da análise com a sua edição aplicada, embora eu não concorde com a prática.

Análise de equipamento fotográfico, não é o lugar para exibir uma galeria com nossas melhores fotos. Na verdade, é o contrário.

Fotografia sem edição, nunca existiu provavelmente

Na fotografia analógica (ou de filme), quando você escolhe o rolo de filme que vai usar na sua máquina — seja Ektar, Provia, Kodachrome etc. — está fazendo uma opção por um resultado com características específicas de cores, tonalidades, contrastes etc.

filme kidak ektar iso 100
Filme ISO 100, Kodak Ektar. Foto: Tim Breaseale..

Além disso, laboratórios (aonde se faz a revelação) diferentes podem produzir resultados variados, apesar dos fabricantes dos filmes lutarem por uma homogeneidade.

Isso, sem mencionar os entusiastas (geeks!) que optam por fazer todo o processo de revelação por conta própria, para ter mais controle sobre o resultado final.

Na fotografia digital, os sensores das câmeras, em conjunto com os microprocessadores, fazem suas próprias interpretações do mundo — de acordo com o que engenheiros, entre outros profissionais, determinam.

Em resumo: é impossível tirar uma foto sem edição.

Por que eu não posto imagens em RAW

Um arquivo RAW contém dados capturados pelo sensor da câmera. Estes dados não são compactados e, até certo ponto, também não passam por qualquer processamento.

Este método de captura, permite obter uma enorme quantidade de detalhes: os arquivos são enormes porém, tecnicamente, não há perda de informações.

A principal vantagem disso é poder levar para a edição, uma imagem com o mais alto nível de qualidade e detalhamento que a sua câmera é capaz de produzir.

Diante disso, o ideal seria postar, nos meus reviews, as imagens em RAW, não é?

Infelizmente, os arquivos RAW não são “exatamente” imagens e têm severas limitações, para serem usados na Internet:

  • não são nativamente interpretados pelos navegadores;
  • são enormes e tornam o site pesado e praticamente inviável;
  • não há vantagem em sofrer com eles, uma vez que também passam por algum tipo de processamento, que varia em função do sensor de cada modelo de câmera.

Quais os critérios para criar os JPEGs postados?

Já que não é possível entregar as imagens exatamente como foram capturadas pelo sensor, pelo menos, posso ser transparente em relação ao seu processamento.

Por isso, tenho optado por fazer as fotos em JPEG, usando o picture style “neutro” da câmera (se for Canon).

Isso já é o suficiente para mim. Dali, pra frente, posso fazer um recorte (crop) para deixar apenas a parte que interessa na imagem e, eventualmente, redimensionar para que ela possa ser carregada mais rapidamente.

Este processo implica em uma considerável perda de qualidade nas imagens que você vê neste site.

Os critérios de edição dos arquivos RAW

Outra abordagem comum, é levar os arquivos RAW (.cr2) pro laptop e abri-los no Darktable.

Usualmente, o Darktable lê e guarda os ajustes do picture style em arquivos .xmp, referentes a cada arquivo RAW.

Na hora de gravar o JPEG, o Darktable usa estes ajustes para criar o JPEG.

Portanto, aqui o primeiro procedimento é “dar um reset” nas alterações feitas automaticamente ao arquivo, para ele voltar ao um estágio mais próximo do “cru”.

Depois disso, posso fazer um recorte, para fins de composição e gravar a imagem em um JPEG bem reduzido — usualmente, 640×480 — e com, no máximo, 60% da qualidade.

Fico muito feliz com o resultado, quando a imagem de 26 MB cai para menos de 50 KB.

Conclusão

Como se vê, a minha prioridade é, basicamente, estragar reduzir as imagens para tornar o carregamento da página mais célere.

O importante é que, quando você olhar para as imagens de exemplo, neste site, saiba que as suas ficarão bem melhores, caso você compre o equipamento.

O que você vê aqui é o worst case scenario, ou seja, o pior dos cenários.

Imagino que não seja muito justo com os equipamentos, mas você sempre pode ir até o Flickr e pesquisar o resultado que as pessoas estão obtendo com a lente que você deseja comprar. Lá você pode encontrar o melhor cenário possível da lente.

Saiba como assinar a newsletter do site gratuitamente.

Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.