Review da Canon EF 50mm f/1.4 USM

Esta é uma objetiva bem peculiar, na linha das 50mm da Canon. Tem seus pontos fortes e algumas limitações, que a tornam a lente de distância focal fixa ideal para um determinado público.

Eu faço esta análise após 4 anos de uso da lente. Além disso, a tenho usado quase exclusivamente nos últimos 5 meses.

Poderia resumir a análise, contando que é perfeita para quem deseja ter uma prime relativamente leve, pequena, com excelente qualidade de imagem e preço razoável — mas há mais detalhes, nesta história, como veremos no decorrer deste post.

Nas full frame, seu ângulo de 46,8° é adequado para quase tudo: retratos, ensaios, paisagens, viagens, fotografia de produtos/alimentos, fotojornalismo, eventos ao ar livre etc.

Já, nas câmeras com sensor APS-C, ela tem um campo de visão de 30° — ou seja, um enquadramento equivalente ao de uma lente de 80mm. O que é significativamente mais “fechado” e ainda pode ser muito para fazer retratos do ombro pra cima.

Especificações técnicas

As informações, desta sessão, se baseiam no site oficial da fabricante e nas páginas do manual da objetiva. Os links estão na sessão de referências.

ObjetivaCanon EF 50mm f/1.4 USM
LançamentoJunho/1993
Preço em US$ *400,00
Peso290 g
Distância focal50mm
Campo de visão (diag.)46,8° (full frame) ou
29,25° (APS-C)
Lâminas do diafragma8
Óptica7 elementos em 6 grupos
Menor dist. de foco0,45m
Magnificação0,15X
Motor de focoFulltime manual USM.
Público-alvoFotógrafos de casamentos, ensaios, rua, retratos, eventos noturnos, viagens etc.
O preço, em dólares, é uma referência obtida em lojas online nos Estados Unidos. O valor não inclui os impostos que os cidadãos estadunidenses pagam.

As objetivas f/1.4 da Canon

A 50mm f/1.4 é a mais barata das objetivas EF com esta capacidade de abertura do diafragma. A Canon tem 5 lentes nesta linha:

  • EF 24mm f/1.4 L USM,
  • EF 35mm f/1.4 L USM (2 versões),
  • EF 50mm f/1.4 USM
  • e a EF 85mm f/1.4 L IS USM.

Como você pode ver, a nossa “cinquentinha”, é a única que não é da série L, fato que é alvo de algumas críticas.

Poderia seguir o exemplo do line up da 85mm, que também conta com 3 produtos nas aberturas f/1.8, f/1.4 e f/1.2 — sendo que as 2 últimas são da série L, com todas as pompas da linha premium, que inclui o weather sealing.

A atual EF 50mm f/1.4 vem de uma longa linhagem de lentes, da marca, com esta distância focal e abertura máxima do diafragma. Iniciada em 1965, ela já está na sua oitava geração, em mais de meio século de evolução.

Com uma história destas, faz sentido esperar por sua continuidade dentro do novo mount RF, da Canon.

Design e construção da lente

Lançada em 1993, quando a fotografia digital ainda estava engatinhando, foi projetada para as câmeras analógicas (de filme), com focagem eletrônica. Nos anos 90, contudo, a focagem manual, ainda era muito importante.

Por este motivo, a lente permite o full time manual focus override, de forma que não é preciso desligar o autofoco — basta começar a mover o anel de focagem, com a mão, para adquirir o controle. Outro recurso útil para quem faz foco manual por zonas, é a janelinha de distância focal, presente na lente.

O anel de foco é emborrachado, espesso e se ajusta bem à mão. É muito útil para obter um foco preciso, na fotografia de produtos, por exemplo.

A minha cópia desta lente não tem um foco suave, como o da EF 85mm f/1.8 ou o da EF 100mm f/2.8 USM. Ou, como diz o site Trusted Reviews: “O foco manual é um pouco tosco, já o autofoco, embora um tanto barulhento, é rápido e confiável.”

Vale dizer que a Canon EF 50mm f/1.8 STM tem um design mais atual e é mais leve, caso isso seja mais importante do que a abertura máxima de f/1.4.

Mas a construção da objetiva, desta análise, é mais robusta e deve agradar mais ao público profissional. Mas não chega a ser tão consistente quanto uma lente da série L.

A óptica da objetiva

As 50mm da Canon têm uma óptica baseada no clássico duplo-Gauss 1.

As f/1.8 adotam o padrão deste design, com 6 elementos e um espaço livre entre os elementos 2 e 3.

Design dos elementos da Canon EF 50mm f/1.4 USM. Crédito da imagem: Paul Chin (2010).

As versões mais claras das “cinquentinhas” da Canon, tem elementos adicionais, para corrigir as aberrações ópticas restantes.

Ainda assim, sob certas condições, de alto contraste, as aberrações cromáticas podem se fazer presentes. Na minha experiência, contudo, isso é raro.

Distorções de barril, vinhetas e, até mesmo a aberração cromática, podem ser resolvidas com as correções da sua câmera ou no pós-processamento.

O esferocromatismo é a manifestação de tons verde e magenta nas bordas dos realces desfocados. Isso pode ocorrer aos f/1.4 e é comum nas lentes desta categoria

Como é de se esperar, ao usar a abertura máxima, nesta objetiva, você vai abrir mão do seu melhor desempenho óptico. A nitidez absurda que se exige dos equipamentos ópticos, hoje, não era um trend, nos anos 90, quando foi lançada.

Leve em conta que os f/1.4, neste equipamento, servem para dar mais tranquilidade na fotografia noturna (por exemplo) e ter a segurança de conseguir sempre voltar para casa com as fotos.

Como já era de se esperar, a lente não tem o seu melhor desempenho e nitidez na abertura máxima. Sua melhor performance, começa aos f/2.8 — mas ela já é excelente, aos f/2.0!

Tela do Darktable mostra estatística das aberturas de diafragma usadas nas minhas fotos. Eu gosto de usar f/5.6 com esta lente.

O bokeh

O bokeh é uma das qualidades desta objetiva. Claro que é um conceito, até certo ponto, abstrato e subjetivo — afinal, você pode gostar ou não do bokeh produzido pelo conjunto óptico.

Na minha humilde opinião, a lente tem um dos desfoques de fundo mais bonitos, entre as 50mm de baixo custo. E me refiro ao desfoque que ela oferece, já aos f/2.8.

Entre f/1.8 e f/2.0, a objetiva consegue mostrar um desfoque equilibrado, sem distorções (se é que alguém se importa).

As coberturas químicas, aliadas aos elementos ópticos da lente, ajudam a obter resultados agradáveis à maioria das pessoas.

Leds da árvore de natal, desfocados. Filmados em 24p, com abertura em f/1.4.

Como é possível observar, no meu exemplo acima, sem tratamento algum — fora o recorte e a compressão para diminuir o tamanho do arquivos de vídeo — é fácil obter um bokeh “cinematográfico” com esta objetiva.

Na fotocolagem, abaixo, note que nas imagens pequenas, somada aos processos de compressão, não resta muita diferença entre f/1.4 e f/1.8. Pense nisso, se vai usar a lente apenas para produzir conteúdo para as redes sociais.

O meu bokeh favorito está entre f/4.0 e f/2.8. Mesmo assim, é confortável ter a opção dos f/1.4 ali, pronta para ser usada.

Para quem é

Se você faz fotografias em condições de baixa luminosidade, esta lente é uma excelente opção.

Ela também é leve suficiente para te fazer companhia em fotografias de rua, em viagens e tem excelente desempenho em ensaios e retratos.

Em eventos, é a melhor companhia para a Canon EF 24-105mm f/4 L II IS USM. Com ela, não preciso levar qualquer outra prime. Ela simplesmente resolve a maioria das situações difíceis para a 24-105.

Alternativas à Canon EF 50mm f/1.4

Há opções mais baratas, no mercado e que também entregam boa qualidade nos resultados.

A Canon EF 50mm f/1.8 STM (review aqui) é uma das alternativas e pode custar 1/3 a menos. Além disso, tem design mais atual e um motor de autofoco mais moderno (embora não seja mais rápido).

Se você tiver muita restrição orçamentária, a Yongnuo também tem opções de objetivas 50mm: uma, com abertura máxima de f/1.8 e outro modelo com abertura até f/1.4.

Se você se interessar, pode ler o review da Yongnuo YN 50mm f/1.8, aqui.

Outras alternativas, são a Canon EF-S 24mm f/2.8 STM, para quem tem uma câmera com sensor APS-C ou a Canon EF 40mm f/2.8 STM, ambas com enquadramento mais aberto.

A Yongnuo 35mm f/2.0 também pode ser apontada como uma alternativa, de baixo custo e com campo de visão mais aberto, a ser considerada.

Por fim, quando eu usava apenas câmeras APS-C, a minha preferida era a Sigma 30mm f/1.4 EX DC HSM, uma objetiva excepcional, que pode ser encontrada no mercado de usados.

Razões para não comprar

Se você está em dúvida se vale a pena sacrificar o seu orçamento para comprar a f/1.4 USM em vez da f/1.8 STM, saiba que as diferenças são pequenas e dificilmente serão percebidas pelos clientes.

O retorno do investimento (ROI) desta lente pode ser mais demorado do que as outras 50mm. Se os clientes não estão te pagando o suficiente para fazer esta aquisição, sugiro fortemente não entrar dívidas.

Por fim, o design desta lente, com seus detalhes em dourado, não é mais tão atual e há quem diga que é, até mesmo, um pouco brega.

Razões para comprar

Como eu disse, as diferenças de qualidade dificilmente serão percebidas pelos clientes. Usualmente, só podem ser notadas na tela grande do monitor (do laptop ou do PC) ou nas impressões mais amplas. Mas você pode comprar para agradar a si mesmo, caso tenha instrumentos para ver a diferença de qualidade

Na fotografia noturna, f/1.4 significa ter um ponto de luz a mais do que f/1.8 o que faz uma boa diferença — caso você não possa usar alguma luz auxiliar.

Na fotografia de rua noturna, ajuda a obter imagens mais espontâneas, justamente, por permitir dispensar o flash.

Em relação às outras “cinquentinhas” mais acessíveis, esta tem uma melhor ergonomia. O anel de foco é maior, tem um emborrachado de qualidade e ajuda a ter uma pegada mais firme.

Galeria de imagens

As fotos são mostradas em JPG sem tratamento, com qualidades e tamanhos bem reduzidos, para não pesar no carregamento do site. Nas configurações da câmera, usei o picture style “neutro” e desliguei todas as opções de correção. A única preocupação foi fazer as fotos com foco e exposição corretas.

Conclusão

Como toda ferramenta, tem suas particularidades — entre qualidades e defeitos. Acredito que temos uma relação muito equilibrada aqui — o que inclui a relação custo/benefício.

Para quem precisa fotografar com o diafragma aberto a f/1.4, a ferramenta tem um ótimo preço.

Como crítica, gostaria que tivesse um anel de foco mais refinado. Também ajudaria, se tivesse 9 ou 10 lâminas arredondadas no diafragma, para que pudéssemos obter um bokeh ainda mais bonito.

Mas é preciso repetir que o projeto, de 1993, não previa todo este trend em torno da nitidez exorbitante e do bokeh “cremoso”, que muitos exigem atualmente. A Canon tinha outras prioridades a endereçar, nos anos 90.

Portanto, se você precisa (ou deseja) ter estas características em uma 50mm, talvez compense guardar dinheiro por mais algum tempo, para investir em um projeto mais moderno, como é o da Sigma 50mm f/1.4 Art.

Para o meu uso, prefiro as aberturas entre f/4.0 e f/11. Às vezes subo até f/2.8, para obter um desfoque de fundo moderado ou compensar a baixa luminosidade.

Verdadeiramente gosto da maneira como ela renderiza as imagens, incluindo o desfoque, sem falar que o autofoco é confiável e rápido.

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Referências

Segue alguns sites, com informações adicionais sobre a lente, que eu li, antes de fazer a minha compra.

Informações sobre a lente, no site da Canon Portugal: https://www.canon.pt/lenses/ef-50mm-f-1-4-usm-lens/specification.html

Canon Camera Museum: https://global.canon/en/c-museum/product/ef318.html.

A linhagem das Canon 50mm f/1.4: https://lens-db.com/canon-fl-50mm-f14-1965/.

Análise do Ken Rockwell: https://www.kenrockwell.com/canon/lenses/50mm-f14.htm.

Análise do OpticalLimits: https://opticallimits.com/canon_eos_ff/564-canon50f14ff.

Análise do TrustedReviews: https://www.trustedreviews.com/reviews/canon-ef-50mm-f1-4-usm.

Análise do bokeh de algumas lentes 50mm: https://neilvn.com/tangents/review-canon-50mm-lenses-bokeh/.

Notas de rodapé

  1. O conjunto óptico das objetivas Gauss, consiste, na sua forma mais simples, de 2 lentes: um menisco positivo frontal e outro negativo do lado do sensor. O elemento positivo é predominante dentro do conjunto, enquanto o negativo trabalha pela correção das aberrações cromáticas.

Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Russian Doll". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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