Fotografia de paisagens com a Canon EOS 6D Mark II

Camera Canon EOS 6D Mark II and Sigma 24-70mm IF EX DG HSM
publicado

Neste post, faço um review específico da Canon EOS 6D Mark II, como equipamento de fotografia de paisagens.

Vamos percorrer a variada gama de ferramentas incluídas na câmera que podem facilitar este tipo de registro.

Neste post, vou mostrar alguns dos recursos da 6D Mark II que a tornam a opção ideal para a fotografia de paisagens, mesmo quando comparada à uma 5D Mark IV, por exemplo.

O processador DIGIC 7, também ajuda na captura de imagens nítidas com níveis baixíssimos de ruído, mesmo com valores de ISO altos.

Sensor full frame

Com um sensor full frame, de 26 megapixels, a câmera é capaz de obter imagens em altíssima qualidade e explorar todo o potencial das melhores lentes compatíveis, do mercado — como as da série L.

O sistema de focagem é híbrido.

Você pode usar o visor óptico, para fazer focagens por contraste, através de 65 pontos de foco, todos do tipo crosstype.

No liveview, a câmera usa o mesmo sistema de autofoco das câmeras mirrorless, com Dual Pixel Auto Focus.

O sensor maior, em relação às câmeras APS-C, permite ter enquadrar mais do assunto, dentro da imagem.

Com esta câmera, é possível obter o máximo de ângulo de campo de visão, bem como da qualidade, das lentes da série L, como a 16-35mm f/2.8 L.

Leia o meu review da Canon EF 17-40mm f/4.0 L USM.

Tela articulável com LCD touchscreen

Foto de divulgação da Canon Asia, mostrando o LCD “variangle” e o painel secundário no topo, com iluminação na cor laranja.

O visor traseiro, ou liveview, tem tela sensível ao toque, como quase todas as atuais câmeras da marca e articulação, que permite virar o visor 180 graus, para frente, para cima ou para baixo — desbloqueando uma série de ângulos para fazer suas fotos.

Na fotografia de paisagem, o visor variangle torna mais fácil se aventurar sob uma imensa variedade de perspectivas.

O liveview, de 3.0 polegadas, vem equipado com o Clearview II, que facilita muito acompanhar o que está sendo registrado, mesmo em dias ensolarados. A resolução é padrão de aproximadamente 1.04 milhões de pontos.

Claro que poderíamos nos beneficiar mais com um visor maior e com mais resolução — como o que está presente na Canon EOS M5 (3.2″ e 1,6 milhões pontos).

Outro detalhe positivio, é o revestimento anti-manchas no LCD, que previne que os constantes toques de dedo (e nariz) na tela “sujem” o monitor de gordura, prejudicando a visão. Seria útil também ter um revestimento anti-brilho.

Fotografar pelo liveview, nesta câmera, dá acesso ao sistema de foco por fase e Dual Pixel Auto Focus (DPAF) que tem maior precisão do que o sistema por contraste, usado no viewfinder (visor ocular).

Visor no topo

Painel LCD, presente no topo das câmeras profissionais, dá mais agilidade aos ajustes da câmera, dá rápido acesso à principais funções e oferece feedback instantâneo da configuração do equipamento.

Câmeras de apelo ao público profissional, costumam vir com um painel LCD com iluminação própria, para uso em ambientes escuros.

A partir deste painel, é fácil checar informações, das mais triviais às mais críticas, de uma sessão de fotos.

O painel torna fácil acessar várias funções da câmera, em quaisquer condições de luminosidade e qualquer posição.

A função HDR, para obter mais detalhes

HDR, é uma sigla que corresponde a High Dynamic Range — ou “alto alcance dinâmico” na tradução livre.

Em outras palavras, a função existe para conseguir registrar mais detalhes de uma cena, tanto das zonas mais claras (altas luzes) quanto das zonas mais escuras (sombras).

A câmera faz uma sequência rápida de 3 fotos, com exposições diferentes e junta tudo, para obter uma cena só, com mais detalhes nos extremos da exposição.

O software da câmera faz um bom trabalho ao empilhar, enquadrar e combinar as imagens, mesmo segurando a câmera na mão.

Na minha experiência, usar o HDR, com a câmera na mão, funciona perfeitamente, se for postar nas redes sociais.

Já, se a intenção é fazer uma impressão grande ou exibir em telas de monitores grandes, use um tripé para dar mais estabilidade, durante a sua foto em HDR.

Se quiser saber mais, eu expliquei melhor o funcionamento do HDR, aqui.

O bracketing

Se for para usar um tripé, por que você deseja obter um resultado de melhor qualidade, o bracketing, é uma opção ainda melhor que o HDR.

A função de exposure bracketing — ou disparos sequenciais, no menu em português da câmera — consiste na obtenção de diversas fotos (3, 5 ou 7), com configurações de exposição diferente.

Você pode usar estas imagens para fazer um empilhamento e fusão em um software separado (eu uso o Darktable). Com esta técnica, você pode obter ainda mais detalhes e precisão do que ao usar o HDR.

Fotografia panorâmica

Outras marcas de câmeras, como a Fujifilm, possuem o recurso de composição (costura) de diversas imagens em uma, para formar uma panorâmica. Até o meu celular (que é um modelo e entrada) tem este recurso.

Eu entendo que o recurso demanda uma certa capacidade de processamento. A “costura” das imagens, para obter uma panorâmica, envolve 3 trabalhos:

  • ajustar as distorções da lente em todas as fotos que se deseja usar para compor o panorama
  • determinar os pontos de corte, para juntar as imagens
  • calcular adequadamente como cada imagem será “costurada” à próxima.

No meu celular, o processo é perfeito para postar nas redes sociais.

Mas dificilmente passa por uma análise, tipo pixel peeping, na qual é possível perceber os defeitos e os remendos.

Se você pretende imprimir a sua imagem panorâmica, o ideal é fazer a costura no seu desktop/laptop que possem maior poder de processamento e softwares com capacidade de fazer uso deste poder computacional. Eu uso o Hugin, para isso.

Já, se for só para postar nas redes sociais, o celular resolve bem, como afirmei acima.

Conectividade

Já expliquei anteriormente que a EOS 6D Mark II é campeã em conectividade, com as opções

  • Bluetooth – que permite conectar à câmera rapidamente para estabelecer conexões Wi-Fi ou obter dados do GPS do seu celular
  • Wi-Fi – que permite fazer backup rápido da câmera pro celular ou para um serviço de armazenamento nas nuvens
  • GPS – que permite obter dados de longitude, latitude, elevação do terreno e hora UTC de diversos satélites
  • NFC – que permite conectar ao encostar o celular na câmera
  • HDMI mini (Type C) – para transmitir imagens de foto ou vídeo para um monitor externo
  • USB 2.0 – para transferência das fotos.
  • Cartões Eye-Fi – Não são mais usados, mas se tiver um, a câmera tem suporte ao recurso
  • Terminal de controle remoto N3 – para fazer disparos remotos, com timer ou não. Se estiver próximo da câmera usar o Bluetooth, Wi-Fi ou NFC podem ser opções melhores

Dificilmente, você vai encontrar outra câmera com todos estes itens presentes.

Eu não poderia ressaltar o quanto gosto de ter a função de GPS incluída na câmera.

A máquina também permite se conectar via bluetooth ao celular ou ao GPS do carro, mas é um trabalho a mais.

Usar o GPS interno da EOS 6D Mark II, consome uma quantidade insignificante de energia e grava, em cada foto, informações de geoposicionamento.

Viajar ou fazer trilhas com o uso do GPS se tornou essencial. Lamento que este tipo de funcionalidade não esteja presente em outras excelentes câmeras da Canon, ou de outras marcas.

Conheça as minhas táticas de guerrilha, para fazer as baterias renderem muito mais na câmera.

Resistência e weather sealing.

A Canon EOS 6D Mark II tem resistência a poeira e a respingos d’água, o que ajuda muito a usá-la sob condições mais desafiadoras de clima.

Há vídeos, no Youtube, demonstrando a extrema resistência da máquina, mas eu aconselho a se manter rigidamente dentro das recomendações do manual — nada além de um pouco de poeira e respingos d’água.

E, não se esqueça: a selagem da câmera só está completa se a lente também for selada — em geral, todas as série L, são.

Para mim, quando a chuva começa, a brincadeira acaba — mas eu posso guardar a câmera com calma, sabendo que tudo vai ficar bem.

weather sealing in canon eos 6d mark ii
Sistema de selagem da Canon EOS 6D mark II — em vermelho, material de selagem (usualmente, borracha de alta qualidade) e em verde as partes com alta precisão de encaixe.

Como se compara a outras câmeras

A Canon EOS 6D Mark II pode facilmente ser comparada às seguintes máquinas, da Canon:

  • EOS 7D Mark II — que tem a vantagem de ser mais resistente e ter melhor selagem. Tem sensor APS-C, que ajuda a ter um melhor enquadramento para assuntos longínquos, mas não permite um ângulo aberto como as full frame. Além disso, está em uma faixa de preço ligeiramente superior. A 7D é uma série de máquinas voltadas a esportes e vida selvagem.
  • EOS 80D — que tem a mesma selagem e resistência da 6D e funções semelhantes, mas com um sensor APS-C. É vendida em uma faixa de preço inferior. O mesmo pode ser dito da EOS 90D, que é mais moderna. Infelizmente, não tem GPS.
  • EOS 5D Mark IV — em uma faixa de preço bem superior à 6D Mark II, perde em quesitos, como peso, visor articulável e opções de conectividade (não tem NFC, por exemplo). Em todo o restante, ela excede a 6D Mark II.
  • EOS RP — na mesma faixa de preços, é provavelmente a alternativa mais cogitada. Infelizmente, não tem um GPS embutido. Mas sistema de foco é bem avançado em relação à 6D Mark II, embora seja pouco útil para a fotografia de paisagens. No liveview, o sistema de focagem de ambas é equivalente.

Leia os detalhes pouco conhecidos da EOS 6D Mark II.

Conclusão

Câmeras, como a Canon EOS 5D Mark IV, certamente, possuem mais recursos e são mais resistentes. Mas a 6D mark II, por outro lado, custa menos, é mais leve e menor, o que a torna uma companhia perfeita para viagens e trilhas difíceis.

O weather sealing, garante mais tranquilidade, para sair sob condições climáticas imprevisíveis.

Ela está na mesma faixa de preço da EOS RP e ambas possuem os mesmos recursos para fotografia de paisagens.

A RP é mais leve, mas a 6D tem o sensor mais bem protegido (pelo espelho). Na primeira ele fica exposto, durante a troca de lentes. Dá para lidar tranquilamente com isso — falo apenas para que isso seja levado em consideração, antes de uma possível compra.

O GPS é um diferencial da 6D, em relação a várias outras máquinas. Com este dispositivo, você não depende de se conectar ao celular. E tem todos os dados do geoposicionamento coletados, de forma transparente, para usar, assim que chegar em casa.

A Canon EOS 6D Mark II oferece um bom balanço entre preço e funções úteis, de uma câmera full frame, para quem deseja fazer trilhas, viagens mais longas e fotografias de paisagens.

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Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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