Como ajudar seus filhos a lidar com as redes sociais

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Muitos pais e mães se preocupam com os efeitos das redes sociais — como o Facebook, o Instagram, o TikTok etc — na vida de seus filhos.

As revelações da ex-funcionária do Facebook, Frances Haugen, em depoimento ao Senado dos EUA, em Outubro/2021, revelou uma série de perigos para adolescentes e crianças ao usar plataformas de redes sociais.

O fato e que muitas plataformas já estão abertas a entrada de jovens a partir de 13 anos. Muitas se tornaram extremamente populares entre este público — principalmente durante a pandemia.

De certa forma, o que Haugen falou, em seu depoimento, não chega a ser novidade. Vários críticos, incluindo pedagogos e psicólogos, vêm alertando para o problema, há vários anos. Só que Haugen é uma pessoa que conhece o sistema e suas “engrenagens” por dentro.

Foto de Bruce Mars (Unsplash).

As redes sociais podem se tornar viciantes e serem surpreendente-mente tóxicas — e têm contribuído para estimular problemas graves, como o bullying e disfunções de saúde mental — inclusive em adultos.

“Adolescentes, não têm autocontrole”, segundo Haugen, em sua declaração ao subcomitê de proteção ao consumidor do senado estadunidense, que durou aproximadamente 3 horas e meia.

Mesmo se sentindo mal, adolescentes não conseguem parar de usar o Instagram, por exemplo.

É impossível determinar os impactos destas declarações, mas segue uma série de medidas que você, pai ou mãe, pode adotar para tornar o ambiente virtual mais seguro para seus filhos.

Não os remova arbitrariamente das mídias sociais

Tente controlar a tentação de sobre reagir, banindo as redes sociais dentro de casa.

Crianças e, especialmente, adolescentes são habilidosos(as) para encontrar outros acessos. E isso vai criar outro problema: a falta de comunicação entre você e seus filhos.

Adie a entrada, antecipe a educação

Adie, pelo menos, até os 13 anos a entrada dos seus filhos nas plataformas das redes sociais. Mas comece a educar e a informar mais cedo sobre o assunto.

Mostre o funcionamento das redes sociais, usando o seu próprio aparelho e sua própria conta.

Explorem juntos o Instagram, o TikTok etc. dentro de um ambiente controlado, aonde você poderá informá-los sobre os riscos, as vantagens e as desvantagens dos aplicativos.

Certifique-se de estar bem informada(o) e ler o máximo sobre o assunto, antes de tentar explicar algo a seus filhos.

Evite que seus filhos caiam “de qualquer jeito” nas plataformas, assim que tiverem idade suficiente para se inscrever. Avalie e verifique se estão emocionalmente preparados.

Uma pergunta que você precisa se fazer: quando solicitados a desligar o videogame ou parar de assistir à Netflix, os seus filhos ouvem o seu pedido e obedecem?

Se tiverem a habilidade de se autorregular em relação a estes itens de entretenimento, isso é sinal positivo de amadurecimento. Preste atenção nisso.

Observe as comunidades

Não há pressa para inserir os seus filhos nas redes sociais ou permitir todo o acesso de uma só vez.

As habilidades requeridas para navegar nestas águas, são adquiridas aos poucos.

Uma alternativa é escolher uma rede social apenas e começar com um número reduzido de contatos (seguidores) — que tal apenas a família e os amigos mais próximos, no começo?

Se seus filhos gostam de certos grupos ou comunidades, tais como maquiagens, skating ou danças, certifique-se de saber sempre o que anda rolando neste lugares.

Peça aos seus filhos dicas de quem seguir, dentro destes grupos, para você poder acompanhar e comentar os assuntos em família.

Se você precisa estar envolvida(o) na comunidade escolar dos seus filhos, também precisa estar nas comunidades online.

Evite ferramentas de controle parental

Há uma quantidade sem fim de ferramentas digitais para monitorar os filhos, dentro e fora das redes sociais. Porém, nada substitui o diálogo e o envolvimento com crianças e adolescentes.

Em vez de monitor, seja mentor dos seus filhos. O mentor aconselha, orienta, educa. Já, o monitor, faz o contrário: vigia, fiscaliza, desconfia…

Mantenha o diálogo aberto

Eu sei. É difícil.

Manter o diálogo sempre aberto e procurar soluções para os problemas são práticas desafiadoras.

Pergunte sobre o que os interessa online e coloque o diálogo como condição para continuar acessando as redes.

Isto é muito melhor do que fiscalizar, que pressupõe uma relação de desconfiança mútua.

Ajude os seus filhos a desenvolver o senso crítico em relação ao que vêm online — o que inclui as propagandas, as ações das empresas, as falas das(os) influenciadores(as) etc.

O seu exemplo

Este é o ponto mais forte de toda argumentação que desenvolvemos aqui.

Se você não der o exemplo, tudo vai ficar mais difícil.

Não use o celular quando estiver dirigindo e mostre que você tem controle sobre os seus próprios hábitos online.

Quando o seu filho quiser conversar, retire todas as distrações do caminho (desligue a TV, coloque o celular do lado, feche o notebook etc) ou chame-o para um local mais tranquilo da casa.

Fica melhor cobrar esta atenção de volta, se você der sempre o exemplo primeiro.

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Referências

https://www.washingtonpost.com/technology/2021/10/05/facebook-instagrm-teens-hearing/?utm_source=twitter&utm_medium=acq-intl&utm_campaign=eng-nd-tech&utm_content=teenshearing&twclid=11448246586992177160

https://techcrunch.com/2021/09/16/facebook-instagram-for-kids-mosseri-wsj-teen-girls/?guccounter=1&guce_referrer=aHR0cHM6Ly9kdWNrZHVja2dvLmNvbS8&guce_referrer_sig=AQAAABM3q8OnQRrdUIJxKyJ_Lj_Ku_eTPKJLwHrz3ZY3nqi7pu5LnUp0nEkFP0riO3nEy0-ZkbrOsipvlGvUPgb3SCZvnTTm6vzKtndZ0S3vlv1PP4ZnT9PJq-7MiZ0_ZtM8f8ngG8KJuP7AN68dyE5sw3TccXKyksY5kH75Q6S9C2nz

Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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