8 razões para comprar (ou não) lentes Canon Série L.

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Neste post, carregado de ambiguidades, vou abordar algumas razões pelas quais você deveria sair correndo para comprar a lente premium dos seus sonhos… ou não.

As lentes da série L são lentes premium, de luxo e tem várias qualidades, que justificam o valor extra, que é cobrado.

Neste post, vou tentar mostrar quais são estas qualidades e como você pode compensá-las (ou não) com as lentes “não L”.

Se há fortes motivos para comprar, também há para não fazer a aquisição. Me acompanhe!

Embora eu esteja escrevendo do ponto de vista de quem usa “vidro” da Canon, todos os pontos delineados valem para as lentes de outras marcas — como as G Master (Sony), S Line (Nikon), Batis (Zeiss), XF (Fujifilm) etc.

Lente Canon EF 24-105mm f/4 L IS II USM
Lente Canon EF 24-105mm f/4 L IS II USM. Leia o review aqui.

A qualidade superior das lentes

Este é o mais óbvio dos motivos e, nem precisamos explicar muito este argumento. A primeira coisa que se espera, de uma lente high end, é que entregue uma qualidade superior. É uma boa razão para comprar, mas…

Os seus clientes não irão perceber que o trabalho foi feito com uma ferramenta de altíssimo padrão. Os equipamentos, certamente, entregam mais qualidade, mas poucas pessoas irão notar isso. Os detalhes perceptíveis apenas sob determinadas condições.

Seus amigos também não irão perceber e nem os seus seguidores nas redes sociais, que olham as suas fotos em uma tela minúscula — por 3 segundos! –, tampouco irão perceber qualquer diferença.

A qualidade a mais, dependendo da lente, pode não chegar a 5%.

Lamento muito dizer isso, mas a principal diferença vai ser sentida no seu bolso e não no resultado do seu trabalho.

A resistência às aberrações ópticas

Os argumentos, aqui — a favor e contra — são similares ao que foi dito no tópico anterior.

A maior parte das diferenças só é observável em monitores grandes, aplicando zoom.

Compre, se você costuma recortar muito as suas fotos ou vídeos — o que pressupõe que já tenha também uma câmera com muitos megapixels.

Não compre, se suas fotos só vão parar nas redes sociais, não há motivo para se preocupar com eventuais aberrações ópticas — que podem ser corrigidas dentro da câmera, mudando o ângulo da foto ou na pós-produção. Este assunto é abordado em maior profundidade, neste texto.

A abertura máxima do diafragma

É fato que algumas lentes da série L conseguem chegar a aberturas insanas do diafragma, como f/1.2.

Isso permite trabalhar em condições de baixíssima luminosidade, em praticamente qualquer lugar.

As possibilidades de uma lente, com esta abertura, são inúmeras.

Toda esta tecnologia permite estender o horário de uma sessão externa de fotos para além das 18h. Uma 50mm f/1.2, não tem limites de horário para fazer fotos e, pode tranquilamente dispensar o flash ou qualquer outra iluminação auxiliar, se você souber o que está fazendo.

Na fotografia de esportes ou vida selvagem, ter uma teleobjetiva com abertura grande do diafragma, é praticamente insubstituível.

Isso, sem falar no bokeh maravilhoso que uma lente destas pode te entregar.

Por outro lado, você também pode aprender a usar o flash, para resolver os problemas de luminosidade baixa.

Em estúdio, trabalhar com grandes aberturas, raramente é importante. Aberturas, entre f/5.6 e f/11, são muito comuns, aonde você pode controlar a iluminação do ambiente. E, mesmo em cenas externas, vale a pena levar um flash para ajudar a criatividade.

Se o argumento é obter um desfoque de fundo mais pronunciado, vale lembrar que a abertura do diafragma não é o único fator para conseguir este efeito. Dá para resolver bem isso, com boa técnica.

E — me perdoe a franqueza — se você não consegue obter um bokeh com a lente do kit, certamente, você ainda não está pronto para extrair tudo o que uma lente, da magnitude da série L, tem a oferecer.

A ergonomia premium das objetivas

Sim. As objetivas da série L são deliciosas de usar.

Você sente que está segurando algo de valor e que foi feito com carinho e esmero para você. Boa parte do processo de fabricação é à mão e realizado por mestres, com décadas de experiência adquirida dentro da fábrica. Isso ajuda a explicar parte do preço cobrado pelas peças.

Tudo funciona bem no equipamento e ele se ajusta perfeitamente às suas mãos.

Contudo, a ergonomia só afeta quem faz uso da lente e é totalmente invisível ao cliente. Você não vai poder argumentar pelo aumento no valor do seu serviço, só “porque a lente é muito gostosa de usar”.

As pessoas pagam a mais pelo próprio conforto e não pelo do motorista. Em outras palavras, é uma compra que só faz sentido para você.

A construção robusta do equipamento

As lentes da série L são resistentes a impactos, a respingos d’água, a poeira, a areia etc. — e isso pressupõe que você também tenha uma câmera com o mesmo nível de selagem.

São fabricadas para serem usadas ao extremo, todos os dias.

São objetivas sólidas e projetadas para serem “cavalos de batalha” e “aguentar o tranco” do trabalho diário.

Claro que isso não é desculpa para ser desleixado. Arranhões e pequenos amassados não farão a lente deixar de funcionar, mas diminuirão o valor de revenda. Além disso, a garantia não cobre quedas ou outros tipos de maus tratos.

E, não se esqueça de fazer o seguro. Aumenta o custo de manutenção do equipamento, mas é imprescindível.

Compre, se você precisa de uma ferramenta confiável e que não vai deixar de funcionar, mesmo após uma pequena queda, permitindo que o fluxo do seu trabalho não seja interrompido.

É claro que as opções de baixo custo, têm seguro mais barato — o que diminui sensivelmente o valor da manutenção.

Qualquer objetiva “comum”, já é projetada para durar décadas. Se você for uma pessoa cuidadosa, provavelmente, não precisa da resistência extra da série L.

O prestígio de ter uma ferramenta premium

Acredite, eu entendo este argumento. Sei que não se trata apenas de “ostentar”.

É óbvio que é importante a um profissional se apresentar bem.

Você quer cobrar mais pelos seus serviços e, para isso, precisa mostrar que pertence a uma categoria superior em relação ao restante.

Mas entenda que poucos(as) clientes conhecem câmeras o suficiente para entender que “aquele anel vermelho, na borda da lente” significa que se trata de equipamento bom.

Além disso, uma boa apresentação pessoal, se baseia em um equilíbrio de vários fatores.

O cliente que está disposto a pagar mais, em função da aparência do fotógrafo, vai reparar antes em outras coisas: como você se expressa, como você se veste, os sapatos que você calça, o carro que você dirige etc. Se você não tem estas coisas devidamente balanceadas, o “anel vermelho” será nada mais que um buraco no seu orçamento.

Em outras palavras, se o objetivo é demonstrar status, verifique se os outros quesitos estão no mesmo patamar das lentes série L, antes de comprar uma.

Os custos de aquisição e manutenção

Para quem é profissional, é importante considerar estas 2 variáveis antes da aquisição de algum novo equipamento:

  • ROI (return of investment) — ou retorno do investimento. Você precisa ter uma previsão de quando obterá o valor gasto de volta e quando passará a ter lucro. Equipamento caro, pode retardar bastante este retorno.
  • TCO (total cost of ownership) — ou custo de propriedade/manutenção do equipamento — que, no caso das objetivas da série L, pode ter um valor alto. O principal fator, aqui, é o valor do seguro.

Dá para resumir tudo isso em uma pergunta: “os seus clientes estão pagando pela sua série L?”.

Se você cobra pouco para fazer eventos e só sai pra trabalhar duas ou três vezes por semana, o ROI não se justifica.

Uma lente parada na estante, não dá retorno algum e continua a ter custo de manutenção. Uma objetiva da série L, é para quem trabalha intensamente.

Nem a compra de usada terá fundamento, uma vez que você poderia comprar uma “não L” usada, ainda mais barata.

Este argumento também foi exposto no texto Quando será o momento de migrar de DSLR para mirrorless.

A hora certa de fazer o upgrade

O seu kit de ferramentas já está todo completo, mas você sente que poderia fazer um upgrade em alguns itens?

Já tem todos os flashes, equipamentos e acessórios de iluminação que precisa para trabalhar?

Já tem todas distâncias focais que necessita, cobertas pelas lentes atuais? Já tem as câmeras que precisa para fazer bem o seu trabalho?

Neste caso, você já está provavelmente pronto(a) para começar a adquirir algumas lentes da série L e, eu tenho certeza, de que já sabe o que quer..

Já, se você ainda está no início da carreira ou da jornada como fotógrafa(o) profissional, amador ou hobista, definitivamente, este não é o momento de dar um “salto maior do que a perna”.

Geralmente, um bom equipamento de iluminação, ajuda muito mais a fazer fotos e vídeos do que uma nova câmera ou uma lente cara.

Se você trabalha com videografia, certifique-se também de que os equipamentos de gravação de áudio não estão precisando de um upgrade primeiro.

Muitas pessoas esquecem que uma boa iluminação e um áudio decente têm muito mais impacto em uma produção de vídeo do que câmeras e lentes.

Conclusão

Como último argumento a favor, se o equipamento vai fazer você sair mais vezes de casa para tirar fotos, a ideia é atraente.

Se vai te dar horas e dias de prazer, fotografando, a trabalho ou por hobby, pode valer a pena esticar mais o orçamento em prol da aquisição de um equipamento premium.

No fim do dia, as “L” só fazem sentido para quem faz uso muito intenso do seu equipamento. É para quem usa a ferramenta até os seus limites.

Porém, se tiver qualquer dúvida sobre se a objetiva vai ficar parada sobre uma estante, pegando poeira e desenvolvendo fungos, apenas adie a compra.

Quem mora em uma cidade grande, usualmente, tem a opção de alugar câmeras e lentes. E, pra quem não pretende fazer uso diário, a locação é a melhor opção.

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Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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