Como o Instagram pode limitar severamente a sua criatividade

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Dar atenção aos likes ou às curtidas (ou às visualizações) e definir a sua produção artística/fotográfica ao que dá mais retorno positivo nas redes sociais, pode ser um forte delimitador da sua verve criativa.

Com o tempo, você vai se ver fazendo apenas fotos que agradam aos outros ou — para ser mais realista — que atendem aos critérios dos algoritmos das plataformas de redes sociais.

Por que dar muita atenção às curtidas é ruim

Se você está interessada(o) em desenvolver a sua fotografia e se tornar cada vez melhor, sob o ponto de vista técnico e/ou artístico, observe que a grande maioria das pessoas que olham nossas fotos não tem formação sólida em artes visuais, em fotografia ou qualquer aspecto estético que as credencie a dizer o que é, de fato, uma foto boa ou ruim.

No máximo, podem dizer que gostam ou não do que vêm.

Com mais de 50 milhões de curtidas, “o ovo” é recordista, no Instagram, sem apresentar qualquer qualidade fotográfica significativa.

Já notou que as pessoas dizem “você tem bom gosto musical” para todos que gostam das mesmas músicas que elas? Isso é o máximo que você pode esperar das redes sociais.

Óbvio que obter feedback sobre a nossa produção, é fundamental para evoluir técnica e artisticamente. Mas este retorno, só tem alguma utilidade, se vier de pessoas qualificadas.

O Instagram pode ser um péssimo lugar para obter este tipo de parecer, portanto.

O algoritmo também não tem a função de analisar qualitativamente

Os atuais algoritmos, têm capacidade de analisar as imagens que você posta, com base nas cores e nas formas contidas.

Teoricamente, isso ajuda a censurar fotos (das mulheres) dos corpos das pessoas. Também serve para mostrar mais fotos de automobilismo para quem demonstrou gostar do tema — ou de gatos, de cachorros etc.

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O algoritmo não trabalha para você. Antes, o contrário. É uma ferramenta de crescimento da plataforma.

O código irá promover seus posts com base em uma análise, que determina se terá mais ou menos engajamento.

Sua função não é estabelecer se as fotos têm qualidade ou não, mas manter as pessoas mais tempo dentro da plataforma, vendo o que elas gostam.

Portanto, se quiser obter mais feedback positivo, basta postar o que gera mais engajamento.

Isto acaba virando uma armadilha. Com o tempo, você tenderá a deixar de criar e postar as fotos que te agradam, para fazer o que “agrada” o algoritmo.

Se as pessoas demonstram melhor engajamento com imagens coloridas, paisagens “hiper-mega-ultra-super” saturadas, o algoritmo tende a exibir para mais pessoas, as imagens que se encaixam nesta categoria. Fotos em preto e branco podem ter menos engajamento, portanto.

Faça a sua própria experiência.

Nos últimos anos, percebi alguns bons fotógrafos desistindo e acredito que esta pode ter sido uma das razões — trabalhar para atender aos padrões obscuros e desconhecidos dos algoritmos, deve ser realmente esgotante — além de contraproducente, sob o ponto de vista da criatividade.

Além disso, é frustrante ver pouco retorno positivo para as fotos que você gosta. Mas você, provavelmente, vai precisar aprender a lidar melhor com isso, se quiser ser uma pessoa feliz.

A solução é não permitir que as redes sociais e seus algoritmos lúgubres ditem o que você deve ou não postar. Não permita que programas de computador, que outras pessoas escreveram, determinem os rumos da sua fotografia.

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Categorizado como Fotografia

Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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