Táticas de guerrilha para economizar a bateria da câmera

camera canon eos 6d mark ii
Hero Canon EOS 6D Mark II
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Precisa fazer a bateria render até a última “gota de suor e sangue” durante uma sessão ou um final de semana inteiro? Aqui vai uma série de práticas e técnicas que vão ajudar você a “tirar leite de pedra”, com a bateria da sua câmera.

Já me vi em situações em que sabia que ia precisar otimizar ao máximo cada porção da carga de energia — ou por só ter uma bateria disponível ou por receio de perder algum momento importante, durante a sua troca.

A minha câmera atual, a Canon EOS 6D Mark II, já tem a reputação de fazer valer ao máximo cada gota de “suco” de uma bateria.

Oficialmente, este modelo pode tirar 1250 fotos (dados oficiais da CIPA), com cada carga.

Já a mirrorless Canon EOS RP pode tirar 250 (CIPA). Com as dicas deste post, você poderá facilmente triplicar a capacidade da sua câmera.

Contudo, se você se vê neste tipo de situação com frequência, pense na possibilidade de adquirir um grip ou empunhadura para o seu modelo de câmera. Além de melhorar a ergonomia do equipamento, o acessório é capaz de dobrar a capacidade energética da câmera.

Algumas das medidas, abaixo, são “drásticas” — voltadas para as situações mais dramáticas — e podem garantir um final de semana inteiro de trabalho ou diversão ininterrupta e intensa, com apenas uma bateria, a depender do seu equipamento.

Algumas das dicas, que vamos abordar neste post, podem também ser incorporadas à prática diária –independente da necessidade de controlar a carga da bateria — por que ajudam a ser um(a) fotógrafo(a) mais eficiente.

Analise e decida até onde você precisa ir, para garantir a volta pra casa com todas as suas fotos.

Se não souber aonde fazer os ajustes necessários na sua câmera, invista algum tempo na leitura do manual — aonde você pode encontrar os pormenores de cada opção.

Pare de verificar a câmera o tempo todo.

A prática de verificar o tempo todo se a foto ficou boa, é chamada de chimping.

Mas há outros itens que os fotógrafos gostam de verificar e, quando em excesso, podem consumir não só mais energia, como o seu tempo durante uma sessão de foto.

Algo interessante pode estar se desenrolando na cena, enquanto você está verificando o LCD da câmera.

Se você já ajustou a exposição, de maneira geral, no começo da sessão, dali pra frente, pode verificar e fazer os próximos ajustes apenas pela régua de medição que aparece dentro do visor (viewfinder).

As câmeras voltadas para o público profissional costumam ter um visor no topo, aonde é possível acompanhar e alterar as configurações atuais da máquina.O display LCD tem baixíssimo consumo de energia. Se tiver um, esta é a primeira coisa a se olhar na câmera.

O LCD, no topo, pode ser usado no início da sessão para verificar e ajustar as condições das próximas fotos — ele é mais simples, ágil e consome menos energia que o liveview. As câmeras mais novas, usam LCD em dot-matrix, que não apaga totalmente, quando você desliga a câmera.

O consumo de energia dos displays em dot-matrix é muito pequeno — equivalente ao da tela do Kindle. É a melhor opção, portanto, para checar a câmera ou fazer configurações rápidas, principalmente, mirrorless.

Faça todos os ajustes primeiro

Antes de começar a sessão, faça todos os ajustes que você vai precisar — para não ter mais necessidade de usar o sistema de menus da câmera.

Durante o trabalho, muitas vezes por excesso de pressão e, eventualmente, nervosismo, você pode demorar mais a encontrar o que deseja no menu — mantendo o LCD ligado por mais tempo do que precisaria.

Cuidar de todas as configurações do equipamento, antes começar a usá-lo, é uma boa prática para incorporar ao seu dia-a-dia.

Use o modo econômico da sua câmera

Esta função não é muito comum nas DSLR. Já nas mirrorless, pode haver uma preferência de ligar um modo de gestão econômica. Na Canon EOS RP, o menu “Eco mode”, faz a tela escurecer sempre que a máquina detectar ociosidade. Ela volta ao normal, com um toque no botão de disparo (shutter button).

Portanto, evitar tocar à toa neste botão, pode ajudar muito a economizar a carga — inclusive por outros motivos, que vamos discutir lá embaixo.

Em outras câmeras o modo econômico pode ter opções mais completas ou mais agressivas para ajudar a segurar a carga por mais tempo. Consulte o manual.

Desligue o liveview

Esta pode ser a medida mais drástica a ser adotada e, provavelmente, a mais eficiente em muitos modelos de câmeras.

Geralmente, nas câmeras que têm um visor traseiro flexível, ele se mantém desligado quando está virado, como na figura abaixo.

Ao virar o visor traseiro, ele se manterá desligado e protegido contra impactos moderados. É uma das medidas mais simples e efetivas para conter o consumo da máquina. Para mim, isso também ajuda muito a me manter mais focado no meu trabalho.

Se você não precisa ser tão radical, pode adotar outras opções menos extremas:

  • reduzir o brilho do monitor — em ambientes internos ou à noite, você provavelmente pode reduzir a luminosidade do display, para ganhar mais tempo de uso da máquina.
  • reduzir o tempo de exibição das fotos no LCD ou apenas desligar a exibição.

Já, se você usa uma câmera mirrorless, você não precisa ver como a foto ficou em 2 lugares: no liveview e no EVF. Portanto, desligue a tela maior, que é a que consome mais energia.

Desligue as opções de conectividade: Bluetooth, Wi-Fi, NFC e GPS

Daqui, pra frente, as opções são “táticas de guerrilha”.

Os itens, que seguem, individualmente, terão pequenos impactos no resultado final. Eles funcionam melhor se aplicados todos em conjunto.

  • Bluetooth — Os equipamentos com o Bluetooth, da versão 4.1 em diante, já são bastante econômicos. Desligá-lo irá te dar uma pequena margem de tranquilidade — talvez 5 minutos a mais de fotos. É difícil saber o quanto a medida pode ajudar. Como regra geral, vai ajudar pouco em versões mais atuais do Bluetooth e ajudar mais em versões anteriores, que eram mais vorazes.
  • Desligue o Wi-Fi — Este recurso só é ligado, quando explicitamente pedido pelo usuário. Contudo, algumas câmeras possuem modos de backup online, que entram em ação durante a sessão de fotos. Para evitar isso ou que outra opção de conectividade ative o Wi-Fi, desligue-o por cautela.
  • Desligue o GPS — Infelizmente, nem todas as câmeras têm GPS. Graças aos celulares, hoje, este instrumento é minúsculo, excepcionalmente eficiente, barato e consome muito pouca energia. Muitas câmeras podem usar o GPS do seu celular, para obter informações sobre a localização geográfica — mas usar o que está embutido na câmera é muito mais eficiente.
    • Outra possibilidade é diminuir a frequência de atualização do recurso. Quanto menor a frequência, menor o gasto de energia.
  • Desligue o NFC — quando você não está usando, o equipamento fica a fazer varreduras nas imediações para encontrar outro dispositivo compatível. Apenas desligue, se não vai usar.

Em equipamentos modernos, todas estes recursos têm baixíssima utilização de energia elétrica. Isoladamente, não têm impacto significativo no consumo da carga da bateria da câmera.

Por isso, recomendo desligar todas as preferências de conectividade que forem possíveis, para ter alguma redução relevante no consumo de energia da câmera.

Desligue os recursos de estabilização e autofoco

As lentes exercem um papel importante no consumo de energia da sua câmera. Embora tenha motores de focalização e estabilização bastante otimizados, também precisam ser consideradas na equação.

O problema é que não adianta voltar pra casa com milhares de fotos inutilizadas por borrões de movimento ou fora de foco.

A estabilização e o autofoco fazem parte de um sistema crítico para obter imagens precisas e são baseadas em motores e peças móveis — que, provavelmente, estão entre as unidades que mais consomem energia do sistema.

Hoje, é muito difícil viver sem estes itens. Ainda assim, vamos abordar meios de usá-los mais eficientemente.

Como lidar com a estabilização

Há, basicamente e recursos de estabilização e todos eles consomem energia:

  • estabilização digital — que faz uso mais agressivo do processamento (CPU) da câmera e tem impacto no uso da bateria
  • estabilização óptica da lente — que, usualmente, possui desligamento automático e só começa a funcionar quando você toca no disparador da máquina. Consulte o manual da lente, para ter certeza.
  • estabilização do sensor — comumente chamado de IBIS (In Body Image Stabilization) ou ICIS (In Camera Image Stabilization), costuma ser instalado ao redor do sensor, em algumas câmeras e ajuda obter um nível superior de estabilização.

O uso dos 3 recursos, em conjunto, se estiverem disponíveis no seu equipamento, podem garantir um nível estelar de estabilização.

Contudo, se puder desligar o que não precisa, você terá um desempenho melhorado da carga da sua bateria. Faça as suas escolhas.

Os recursos de focalização

Desligar o recurso de autofoco pode colocar muitos fotógrafos em águas turvas.

Porém, é possível controlar o acionamento do recurso para otimizar o consumo.

O que acontece é que, toda vez que você toca no botão de disparo, o autofoco, o sistema de estabilização e de medição de luz são acionados.

Procure manter o dedo fora do disparador, quando não estiver pronto para fazer uma foto.

Ainda é possível fazer muita fotografia, sem o uso do autofoco. Basta usar a técnica da focalização por zonas — que é muito comum entre fotógrafos de rua, por sinal. Só que isso exige uma boa dose de treinamento anterior.

A janelinha com a escala de distância pode ser usada para fazer foco por zona.

Em um estúdio, se estiver trabalhando com uma abertura pequena, de f/11 por exemplo, pode ser seguro usar a câmera sobre um tripé — com autofoco e estabilização desligados. Verifique se a sua situação permite isso.

Influência do clima

Todo equipamento, incluindo as baterias e as câmeras, possuem uma zona ou faixa de temperaturas de trabalho.

Se você pretende sair para fotografar em um clima frio, com neve, precisa prever o impacto da temperatura muito baixa no desempenho das suas baterias e da própria câmera.

Estamos falando de temperaturas abaixo de -10ºC. Nestas condições, procure manter as suas baterias aquecidas.

Como cuidar da bateria

Cuidar da sua bateria, pode garantir o melhor desempenho, no longo prazo.

Se for uma questão de urgência, remova-a da câmera, no dia anterior à sessão de fotos — se souber, de antemão, que não será possível carregá-la completamente.

Os cuidados com as baterias, envolvem o armazenamento correto e procurar fazer a recarga completa.

As baterias atuais, de lítio de íons, não sofrem com os efeitos memória, das antigas. Contudo, continuam a ter quantidade limitada de ciclos de recarga.

Portanto, usar ao máximo, antes de recarregar, ainda é uma boa prática para baterias.

Conclusão

Como eu disse, lá em cima, as opções estão aí — me avise, nos comentários, se você conhece ou usa outras dicas ou macetes para poupar a carga da bateria da sua câmera.

Você não precisa aplicar tudo, mas se estiver prestes a encarar um dia ou um final de semana muito intenso e com apenas uma bateria, vale conhecer quais são as opções e repassar os itens da lista podem ser usados.

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Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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