Está na hora de migrar para mirrorless?

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Canon EOS 6D Mark II + EF 24-105mm f/4 IS II USM vs Canon EOS R + RF 24-105mm f/4 L IS USM
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Este post é voltado para quem usa, no trabalho ou no hobby, uma DSLR Canon ou Nikon e está se sentindo, de certa forma, “pressionado” a migrar para as novas câmeras mirrorless.

Como profissionais ou amadores, é importante não permitirmos que o hype ou os youtubers tomem decisões no nosso lugar.

Aqui, eu trato do meu ponto de vista — com os equipamentos que tenho (em 2021). E espero que algumas das minhas considerações o ajudem a fazer as suas próprias.

Até que ponto as câmeras mirrorless são uma tecnologia “nova e revolucionária”? Qual o custo da migração? Para quem vale a pena?

O que é uma câmera DSLR?

Vou começar definindo o que são as câmeras DSLR — e, se você já conhece estes conceitos, sinta-se à vontade para pular para o próximo tópico.

As (D)SLR são câmeras que usam um espelho, posicionado entre o sensor e o bocal, aonde se encaixam as lentes.

O significado de SLR, é Single Lens Reflex — em uma alusão ao espelho que reflete a imagem obtida da lente para o viewfinder (aonde você encaixa o olho). As câmeras DSLR são a mesma coisa, só que digitais.

Neste tipo de câmera, o espelho também reflete a imagem para o sistema de autofoco.

Na hora do “tiro”, o espelho sai do caminho e a imagem da lente, finalmente, chega ao sensor, aonde ela será gravada.

O que é uma câmera mirrorless?

Mirrorless, quer dizer “sem espelho”, em inglês.

Nestas câmeras, a imagem é refletida diretamente no sensor que comporta também o sistema de focagem — alguns pixels passam a exercer a função de pontos de focagem.

As câmeras de lentes intercambiáveis, sem espelho, são também chamadas de MILC (Mirrorless Interchangeable Lens Camera).

Do meu ponto de vista, é justamente no sistema de focagem que está a “grande revolução” das atuais câmeras MILC digitais.

As câmeras híbridas

Atualmente, todas as DSLR são híbridas, ou seja, funcionam também como mirrorless, quando você usa o liveview — a tela LCD traseira — para fazer suas fotos.

Use o liveview, na sua DSLR, para saber como um mirrorless se comporta.

Quando você ativa o liveview na sua DSLR, a câmera afasta o espelho e permite que o sensor fique constantemente exposto à imagem projetada pela objetiva — exatamente como nas mirrorless.

Canon EOS 5D Mark IV, tal como a maioria das DSLR atuais, é um exemplo de sistema híbrido DSLR/mirrorless. Foto: Canon/USA.

Vantagens e desvantagens das DSLR

Como vimos, as DSLR possuem 2 sistemas de focagem redundantes — um baseado no espelho e outro no sensor, como as MILC.

Ao remover a redundância, as mirrorless abrem espaço físico para abraçar novos avanços tecnológicos no futuro.

Enquanto as DSLR mais avançadas, atualmente, podem ter mais de 60 pontos de autofoco, as mirrorless mais básicas têm milhares.

Os milhares de pontos de autofoco, distribuídos por toda a tela do viewfinder ou do liveview, permitem focalizar objetos em qualquer área do enquadramento e não apenas na área central — o que dá mais liberdade de composição, por exemplo.

Há a alegação de que as mirrorless são menores. E, embora seja interessante ter equipamento mais leve, a redução do tamanho costuma vir com uma sensível redução na ergonomia.

Outra desvantagem apontada nas MILC, é a menor capacidade das baterias, frente a um consumo maior de energia. Mas isso está mudando nas novas gerações de câmeras que já conseguem tirar mais de 1000 fotos por carga.

A evolução das DSLR para mirrorless não é uma revolução, como do filme para o digital.

A evolução das câmeras de filme para digital não trouxe ganhos de qualidade imediatos — isso veio com o tempo e demorou mais de uma década.

Mas causou uma revolução na distribuição das imagens.

Nos primeiros grandes eventos esportivos em que se fez uso de câmeras digitais, foi possível eliminar processos onerosos e demorados de revelação e transmitir diretamente para os sites na Internet.

Foi uma revolução no tempo entre tirar a foto e publicar no site ou nos jornais.

Já a transição das DSLR para as MILC vem ocorrendo de maneira mais branda e não há grandes diferenças no processo de se tirar e distribuir fotos, por exemplo.

A mesma imagem que você cria com uma tecnologia, é totalmente possível fazer com a outra. É importante frisar bem: o seu cliente não vai perceber qualquer diferença.

O grande apelo é o sistema de foco, mais avançado. Futuramente, veremos avanços significativos chegarem aos obturadores eletrônicos, que poderá eliminar de vez a necessidade do sistema mecânico.

Se você vai comprar uma câmera nova, o que deve comprar?

Se está começando do zero ou ainda tem pouco valor acumulado em equipamento fotográfico, comece com o sistema que vai mais longe: mirrorless é o futuro.

A Nikon e a Canon criaram novos mounts e novas linhas de lentes para os seus novos sistemas full frame mirrorless.

Como conselho genérico, portanto, se vai começar a montar o seu kit fotográfico agora, é melhor construir a base do seu investimento, já no novo sistema. Compre o básico e vá acrescentando novos equipamentos aos poucos — e, como sempre, invista prioritariamente nas lentes.

Para uso profissional, a recomendação pode ser outra

Fotógrafos profissionais levam muito a sério o retorno do investimento do seu equipamento. A câmera é uma ferramenta de trabalho, que precisa gerar dinheiro e não despesas. Na foto, o profissional registra batismos, com uma Nikon D5300 (DSLR APS-C) e a lente do kit.

Se você pretende investir em uma carreira, como fotógrafo profissional, talvez precise se preocupar mais com o ROI (Return Of Investment, ou retorno do investimento) do equipamento.

Sob este ponto de vista, para quem tem pouco dinheiro, os sistemas DSLR e APS-C (ou “cropped“) podem ser mais vantajosos. Sobretudo, se recorrer ao mercado de usados.

Guarde parte do seu lucro para investimento futuro em lentes de qualidade e câmeras full frame mirrorless.

Mas, se tiver folga orçamentária (i. e. bastante dinheiro) comece já comprando câmeras e lentes mirrorless.

Para quem já tem um kit de câmeras e lentes DLSR completos

Atualmente, este é o meu caso. E acho que estou numa posição bastante confortável: já tenho tudo o que necessito para fazer a fotografia que gosto ou preciso.

Eu só não tenho as lentes dos meus sonhos — que são aquelas que gostaria, mas não necessito ter, se é que você me entende 😉

Em 2021, não há razão para fazer upgrade da minha Canon EOS 6D Mark II. As mirrorless, da marca, que se encontram no mesmo patamar de preços, não representam upgrades tecnológicos significativos.

Entrar em um processo de migração tecnológica, neste ponto, vai adiar ainda mais a compra das lentes dos meus sonhos, basicamente por 2 motivos:

  • As lentes novas do mount RF ou Z (Nikon), ainda são caras
  • O comércio de usados, para os equipamentos full frame mirrorless ainda vai demorar a se estabelecer, tanto para Canon quanto para Nikon. Pode demorar uma década para o mercado se abastecer em termos de opções.
  • Eu não acredito em vender o que tenho, pra comprar o novo depois. Prefiro guardar dinheiro e comprar à vista o que eu quero. Depois, vendo com calma, o que não preciso mais.

Quem é dono de uma full frame, com mais de 5 anos de uso, talvez tenha mais motivos para fazer a atualização para o novo sistema.

Na minha mais do que humilde opinião, uma Canon EOS 5D Mark IV, lançada em 2016, tem fôlego para 10 anos de uso intenso.

Por outro lado, também não tenho mais necessidades para continuar comprando lentes para DSLR. As que tenho comigo, acompanharão minha transição no futuro e poderão ser vendidas (ou não) com calma, à medida em que for reestabelecendo o meu novo kit.

É provável que, dentro dos próximos 10 anos, a migração ainda esteja no campo das opções e não das necessidades. É o tempo que leva para robustecer o mercado de usados mirrorless.

Como dou muito mais valor ao “vidro”, a minha melhor opção, no momento, talvez seja comprar lentes usadas para DSLR de altíssima qualidade dos profissionais que estão fazendo a sua transição.

A situação de quem tem DSLR APS-C

No momento em que escrevo, há raras opções APS-C para Canon/Nikon. Se você tem interesse em “subir o degrau” dos sensores para full frame, as mirrorless são a melhor opção — inclusive por que aceitam todas as suas lentes, com o uso de adaptadores.

Quando deixará de valer a pena comprar as DLSRs e lentes para este sistema?

Lente Canon EF 24-105mm f/4L IS II USM
Lente Canon EF 24-105mm f/4L IS II USM — leia o review

Do ponto de vista de quem está interessado em se divertir ou ganhar dinheiro com fotografia, os sistemas DSLR ainda podem ser muito atrativos por vários anos.

As lentes são bens duradouros. Se uma lente, com 20 anos, ainda funciona bem… então é uma boa compra! Simples, assim.

Depende muito mais de você: gosta de comprar coisas novas, o tempo todo? Ou curte, mesmo, sair para fazer fotos?

Se houver uma desvalorização das DSLR (me refiro ao sistema câmeras+lentes), elas com certeza se tornarão ainda mais atrativas para quem apenas quer fotografar. Principalmente hobistas.

Outro dia, li um cara dizendo, em um fórum: “quero que todo mundo vá embora pras mirrorless, pra eu poder comprar a câmera e a lente dos meus sonhos bem baratinhos…” — essa é a ideia!

Imagine os preços das lentes Zeiss, usadas para DSLR, daqui a alguns anos!

Os early adopters, são as pessoas que compram os produtos, assim que são lançados. Não há nada errado com isso, mas é um estilo de vida caro e a alegria costuma durar pouco.

O conceito de obsolescência na fotografia é diferente

Na fotografia, obsoleto é o que para de funcionar. Se ainda pode fazer fotos, então não é obsoleto.

Há pessoas criando imagens incríveis, usando câmeras e lentes, fabricadas antes da segunda guerra.

Chegará o momento em que um kit Canon EOS 5D Mark IV + EF 24-70mm f/2.8 custarão menos de mil dólares. E, desde que esteja funcionando, ainda será capaz de fazer imagens incríveis por muitas décadas. Se for bem cuidada, uma câmera pode durar mais do que eu, você, este blog…

Há vantagens em manter indefinidamente uma DSLR?

Como já disse, o argumento da obsolescência é muito relativo e acredito que tenha uma validade muito restrita (ou quase nula) na fotografia.

O novo sistema tem lentes melhores… mas não é um salto tecnológico ou qualitativo. Por enquanto, são muito mais “caras” do que “melhores”.

Permanecer no sistema DSLR, apresenta uma boa possibilidade de montar uma biblioteca de objetivas, de todos os tipos, para você brincar e experimentar. Há um enorme mercado de equipamentos usados, que tende a crescer, à medida em que os outros migram.

Por outro lado, também é possível usufruir das lentes para DSLR, no sistema mirrorless, usando adaptador. E este fato, com certeza, fará com que muitos adiem a venda de suas objetivas usadas… ou não.

É muito difícil prever o que as pessoas farão ou a direção do mercado. O que é mais um motivo para não ter pressa.

O valor de revenda do equipamento DSLR

Esta é uma preocupação muito sensata. Mas há casos em que ela não faz muito sentido.

Se você é profissional, o retorno do investimento (ROI) é muito mais importante do que a eventual desvalorização do equipamento.

Se você teve um retorno 10 mil vezes o valor inicial do seu equipamento, a depreciação é completamente irrelevante.

Para uso profissional, o que merece atenção é o quanto se vai ganhar com um kit de trabalho e não a sua depreciação.

Já para quem pratica a fotografia como amador ou hobista, a preocupação com o valor de revenda passa a fazer mais sentido.

Se o equipamento atual se desvalorizar muito, vai ficar difícil amealhar o dinheiro necessário para fazer a transição. Ainda assim, tenha cuidado com o mito da obsolescência dos equipamentos fotográficos, que abordamos acima.

Os fatos ainda mostram que equipamentos fotográficos, em boas condições, costumam reter o valor de revenda.

Não vejo motivo para as DSLRs sofrerem um processo acelerado de desvalorização.

E você?! O que você pensa disso tudo?!

Compartilhe o seu ponto de vista, comigo e com os outros leitores 😉

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Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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