Até que ponto é importante buscar seu próprio estilo na fotografia?

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Ser consistente tem vários significados. Usualmente, na fotografia, tem um sentido figurado, de ser persistente dentro de um molde.

Ter consistência, muitas vezes, é confundido com “ter um estilo próprio” para fotografar.

Sinta-se à vontade para responder e se posicionar sobre o assunto na sessão de comentários — terei o maior prazer de ler. B-)

Definição de consistência, de acordo com o dicionário online https://dicio.com.br.

Ter seu próprio estilo, implica em ter coerência no seu processo criativo, em relação ao que já fez, nas cores usadas, na edição, nas poses, nos temas ou, até mesmo, no equipamento utilizado para registrar suas imagens.

Acima de tudo, é ser capaz de manter a mesma qualidade na execução (técnica) do seu trabalho.

A consistência — e ouvimos muito isso da boca dos “influencers” — significa também ter regularidade nos posts nas redes sociais ou na sua produção fotográfica.

Enfim qual a necessidade disso?

Quando ter um estilo é indesejável

Em princípio, se você não quiser apresentar um trabalho profissional/artístico consistente, não faça! Se não sente que a prática acrescenta qualidade ou prazer à sua fotografia, talvez não seja para você. E está tudo bem! 😉

Iniciantes na fotografia também devem se abster totalmente de tentar fazer a fotografia de maneira consistente, regular, coerente ou mesmo “buscar um estilo”.

O problema da consistência é que ela pode impedir você de experimentar coisas novas — como métodos, temas, equipamentos etc.

Ter consistência, implica necessariamente em restringir a busca criativa — o que pode ser muito ruim para quem está começando uma jornada.

A consistência no trabalho para profissionais

Quando você é pago, para fazer algo, tudo muda de figura.

Profissionais têm prazos a cumprir e expectativas que precisam ser atendidas.

O cliente vai começar a criar expectativas quando visitar o seu portfólio online. Mas se o conjunto do seu trabalho não tem consistência, vai ser difícil saber o que esperar de você.

Naturalmente, a cliente ou o cliente vai se perguntar se vale mesmo a pena investir dinheiro no seu trabalho — uma vez que não sabe exatamente qual será o resultado.

O que é um trabalho inconsistente na fotografia?

Um portfólio inconsistente pode dar aquela impressão de que a sua galeria é um apanhado de fotografias criadas por vários fotógrafos diferentes, cada qual com um equipamento e um estilo diferente.

Diante disso, o cliente se pergunta: “Qual deles estou contratando, aqui?”

Vários fatores concorrem para tornar o seu trabalho inconsistente:

  • Usar várias lentes em um mesmo projeto, vai mostrar fotografias em uma variedade de ângulos e perspectivas que pode não ser interessante, quando o conjunto estiver sendo analisado.
  • Lentes zoom também pode introduzir inconsistências no projeto, por que cada distância focal tem ângulos e perspectivas diferentes — além das distorções naturais. Por exemplo, uma objetiva 24-70mm, comumente apresenta distorções radiais (“de barril”), aos 24mm e distorções inversas (“de almofada”), aos 70mm.
  • O mesmo pode ser dito das câmeras. Mesmo dentro da mesma marca, cada uma lida com cores de maneiras diferentes.
  • A iluminação ambiente também é fonte de inconsistências. Fora de um estúdio, é praticamente impossível controlar a luz.
  • A pós-produção, com estilos, perfis ou filtros divergentes na edição.
  • Um portfólio com fotografias de casamento, recém-nascidos, produtos, paisagens… O(A) cliente pergunta, “afinal, que tipo de fotógrafo é você?”

Como evitar as inconsistências

Agora que você já sabe o que pode causar inconsistências no seu trabalho ou dentro de um projeto, pode começar a exercer cada vez mais controle sobre o seu processo, para obter resultados mais uniformes.

É muito difícil para um fotógrafo de eventos, evitar usar lentes zoom e diferentes distâncias focais.

Em outras condições de trabalho, é possível restringir o equipamento a uma só câmera e uma só lente. E isso já ajuda muito a obter uma uniformidade de perspectivas dentro de um projeto (mesmo que seja apenas um ensaio).

Conclusão

Enfim, a consistência é algo a ser levado em conta sempre, todos os dias. Ela pode atrasar o seu desenvolvimento como artista ou impulsionar seus negócios.

Cabe a você determinar quando precisa ser consistente e quando não. E, sim! Dá para ter o melhor dos 2 mundos!

Você pode ser consistente em 2 ou 3 itens e deixar o restante “fluir com o momento”.

É possível ter um trabalho consistente, para mostrar à clientela e vários outros projetos experimentais, aonde você pode dar asas à sua criatividade — sem precisar dar satisfações a ninguém.

Eventualmente, você pode incorporar ao seu trabalho, as experiências que dão certo.

Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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