A qualidade das lentes é proporcional ao seu tamanho?

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Uma afirmação genérica — e não uma regra — é que, para obter mais qualidade, você precisa de vidro, entre outros elementos, de alta qualidade dentro de uma objetiva.

Na verdade, vários fatores concorrem para afetar o tamanho — para mais ou para menos — das lentes. Vamos conhecer alguns deles.

A abertura do diafragma

Lentes com grandes capacidades de abertura do diafragma, usualmente precisam ter um elemento frontal maior — lá na outra ponta.

Pentacon 2.8/135 lens 15-blades diaphragm — Foto de Edal Anton Lefterov,

A partir de f/2.8, cada passo adicional vai impactar fortemente o tamanho físico da objetiva. Ou seja, depois que se passa dos f/2.8, cada stop extra de luz vai requerer elementos frontais cada vez maiores, para captar a quantidade de luz requerida na outra ponta.

As teleobjetivas, com abertura de diafragma mais larga, tendem a ter um elemento frontal ainda maior que as normais ou grande angulares.

Um exemplo disso, é a Sigma 200-500mm f/2.8 APO EX DG Ultra-Telephoto Zoom, que só pode ser usada sobre um forte tripé. Em compensação, ela oferece uma abertura extrema, aos 500mm — um ângulo de 4,5º em um sensor full frame.

A Sigma 200-500mm F2.8 APO EX DG, vem com bateria própria, para movimentar o seu robusto sistema de autofoco. A Objetiva é indicada para viagens, natureza e vida selvagem, esportes e ação. Tem um custo aproximado de US$ 26 mil.

Elementos de correção

O fabricante da sua lente pode optar (ou não) pela adoção de vários tipos de elementos de correção das aberrações ópticas e de problemas, como o breathing — que causa variação no enquadramento quando o foco muda.

Sabemos que, quanto mais perfeita a imagem registrada pelo sensor, menos tempo será gasto na pós-produção, para aplicar correções.

Cada elemento, adiciona peso, largura e comprimento ao tamanho final do projeto da objetiva.

O software interno das câmeras é capaz de resolver boa parte destes problemas. Esta solução, contudo, frequentemente causa a perda de informações. Por isso os projetos de lentes visam entregar ao software a menor quantidade possível de problemas a corrigir.

O tamanho do sensor

Sensores largos precisam de vidro com diâmetro o suficiente para projetar uma imagem que cubra toda a área do sensor.

Quanto maior a projeção da imagem, maior o tamanho do diâmetro da objetiva. Se somado ao conjunto de todos os outros fatores, citados acima, as lentes projetadas para sensores APS-C tendem a ser menores que as projetadas para sensores full frame, que tendem a ser menores que as do médio formato.

Comparação entre os kits Fujiflm GFX 100 S + lente GF 80mm f/1.7 R WR; Canon EOS 6D Mark II + lente Sigma 50mm f/2.8 DG Macro e Olympus OM-D E-M1 Mark III + lente Sumicron 25mm f/1.4 DG II ASPH. Todas têm enquadramento similar ao da 50mm. Veja mais no Camerasize: https://j.mp/3a4zwbu

Portanto, embora também não seja uma regra, o tamanho do sensor influencia no tamanho da lente.

Motor de autofoco, estabilização e construção

Entre outros fatores que influenciam os tamanhos das lentes estão os motores de autofoco, de estabilização óptica das imagens e a própria construção.

Na comparação, Canon EOS 6D Mark II + lente Canon EF 70-300mm f/4.5-5.6 IS DO USM vs Olympus OM-D EM-1 Mark III + lente M. Zuiko Digital ED 75-300mm f/4.5-6.7 II. A Canon usa elementos ópticos difractivos (Difractive Optics) para reduzir ainda mais o tamanho de alguns de seus modelos de lentes.

Cada modelo de lente usa soluções de mecanismos de controle do foco e da estabilização, de acordo com o mercado ou uso a que ela se destina.

Lentes voltadas para a cinematografia, priorizam tecnologias silenciosas de estabilização e movimentos suaves para fazer o foco — mesmo que resulte em um peso maior.

Além disso, lentes para uso externo, podem vir com itens que garantem a selagem do corpo contra os elementos.

Elementos que diminuem o tamanho da objetiva

Canon EF 70-300mm f/4.0-5.6 DO IS USM vs Canon EF 70-300mm f/d.0-5.6 IS USM II — é um exemplo de sucesso do uso de elementos de difração óptica com o objetivo de reduzir o tamanho da objetiva, sem penalizar sua qualidade óptica.

Nem todos os elementos causarão impacto negativo no tamanho/peso do projeto. Alguns podem fazer o contrário, como os elementos de óptica difrativa.

É o que ocorre com a objetiva Canon EF 70-300mm f/4.5-5.6 DO IS USM, que “inclui um elemento de óptica difrativa (DO) compacto, de 3 camadas. A adição deste elemento, causa a redução no peso e na dimensão do equipamento” — mantendo a qualidade da imagem.

Conclusão

São vários os fatores que podem contribuir para aumentar o tamanho de uma objetiva.

Um projeto, com vidro de alta qualidade e vários elementos de correção, que ainda conta com um sistema de estabilização avançado, um corpo resistente e a capacidade de chegar a uma grande abertura, como consequência, pode ter um tamanho considerável.

Cabe a você decidir, na hora da compra, se precisa de tudo isso ou se pode se contentar com o básico.

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Referências:

Site oficial da Sigma 200-500mm f/2.8: https://www.sigmaphoto.com/200-500mm-f2-8-apo-ex-dg.

Comparação de tamanhos entre a Canon EOS 6D Mark II + Sigma 50mm f/2.8 DG MACRO vs Fujifilm GFX 100S + Fujifilm GF 80mm f/1.7 R WR vs Olympus OM-D EM-1 Mark III + Leica Sumilux 25mm f/1.4 II ASPH: https://j.mp/3a4zwbu]

Comparação de tamanhos entre a Olympus OM-D EM-1 Mark III + Olympus M. Zuiko Digital ED 75-300mm f/4.8-6.7 II vs Canon EOS 6D Mark II + Canon EF 70-300mm f/4.5-5.6 DO IS USM: https://j.mp/3dcq3AX

Comparação de tamanhos entre a Canon EOS RP + RF 50mm f/1.2 L vs Canon EOS 6D Mark II + EF 50mm f/1.8 STM: https://j.mp/3wXQJ0i

Leia o Review da lente Canon EF 70-300mm f/4-5.6 IS II USM.

Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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