Entenda por que você não deveria usar softwares Adobe.

A Adobe é uma empresa com um longo histórico de relacionamentos com seus consumidores ou usuários. Nem sempre esta relação se pautou pelo respeito ou pela dignidade, na minha maneira de ver as coisas.

Um exemplo recente foi o anúncio da companhia, em Outubro de 2019, de cortar relações com seus clientes da Venezuela, dando-lhes um prazo para baixar seus arquivos e tentar se readequar sem os produtos da empresa. Isso, sem oferecer um reembolso ou, mesmo, uma multa rescisória — que seria o mínimo, para ser justo.

Em defesa da empresa, é possível dizer que estava cumprindo determinações do governo norte-americano (apesar da “ditadura” ser na Venezuela…) e que ela voltou atrás na decisão de não reembolsar seus clientes.

Mais tarde, a empresa conseguiu reverter, junto ao seu governo, a decisão de “cortar fora” seus usuários.

É provável que outras empresas norte-americanas tenho passado pelo mesmo processo decisório. Mas o fato foi o suficiente para vários usuários nos Estados Unidos acenderem seus próprios sinais de alerta: a Adobe é uma empresa cujos produtos mais importantes são de código fechado. Adicione a isso que os formatos proprietários de arquivos criam uma prisão tecnológica.

Profissionais devem entrar em armadilhas tecnológicas?

Como profissional, você precisa se questionar constantemente o quanto você é tecnologicamente dependente de um único fornecedor para atender às suas necessidades.

A dependência tecnológica é sempre um perigo à espreita. Se não der atenção à ela hoje, você pode ficar em uma situação muito difícil amanhã — seja você um profissional autônomo, uma grande empresa ou, até mesmo, uma nação.

Profissionais venezuelanos descobriram que, por conta de direcionamentos mais radicais dos ventos da política (em outro país), ficariam sem poder atender seus clientes — arcando sozinhos com todas as consequências, entre multas contratuais e eventual destruição de suas reputações.

A maioria dos fotógrafos que conheço nem gosta de falar sobre politica. Mas a política, como avisava o Bertolt Brecht, controla o seu fornecedor e determina se seus clientes terão ou não dinheiro no bolso.

Softwares e formatos de arquivos proprietários, são uma prisão tecnológica.

Mesmo tendo resolvido (temporariamente) o “abacaxi” político, no seu país, o problema da Adobe (e de muitas outras empresas) continua a existir.

Quando você vê o quanto é difícil mudar todo o seu fluxo de trabalho feito nos softwares da Adobe para Corel, por exemplo, é que vocẽ percebe que caiu em uma uma armadilha tecnológica.

As dificuldades para fazer a migração são criadas artificialmente. A maior parte das incompatibilidades são intencionais.

As grandes empresas têm a mesma prática, em relação a seus usuários.

Recentemente, soube de uma gráfica que recebeu arquivos gravados no mesmo programa que eles usavam, só que de uma versão mais nova e, portanto incompatível.

Para poder atender ao cliente (que usava uma versão ilegal), tiveram que comprar e migrar para uma nova versão, sem ter qualquer necessidade prática ou tecnológica para isso.

Incompatibilidades entre versões de softwares são criadas artificialmente, para forçar a recompra.

Quais são as alternativas para editar imagens?

Softwares livres, são programas que permitem acesso ao seu código fonte e, portanto podem ser auditados e, eventualmente, alterados — para fazer o que você precisa que seja feito.

Programas de edição de imagem, como o GIMP, não geram arquivos proprietários, que te impedem de usá-los em outra plataforma.

É impossível um governo, mesmo que seja poderoso como o dos EUA, impedir que qualquer pessoa use softwares livres — a menos que usem a “força física” e tomem o seu computador.

Se o desenvolvedor por trás de um software livre desaparecer ou a empresa for à falência, tudo continua no dia seguinte. Outra pessoa ou empresa pode retomar os trabalhos.

Softwares livres ou de código aberto, são mais seguros — inclusive juridicamente. Portanto, são melhores uso profissional.

Mesmo tendo uma grande quantidade de desenvolvedores e empresas envolvidas em projetos como o GIMP, o Darktable ou o RawTherapee, nenhum destes softwares se abalou com a radicalização política nos últimos anos.

Não use software proprietário pelas razões erradas.

Na minha opinião, as pessoas fazem uso de softwares proprietários pelas razões erradas:

  • comodismo: O medo de aprender o novo é inadmissível para um profissional criativo.
  • segurança: Infelizmente, as grandes empresas não vão muito além da propaganda, nesta questão. Pagam advogados caríssimos para garantir a própria segurança jurídica e não a sua.
  • liberdade — a liberdade de escolha, dentro do neoliberalismo, é uma falsa promessa. Quando você colabora para a formação de um monopólio (o da Adobe, por exemplo), já está abrindo mão da liberdade de escolha futura.

Conclusão

Por fim, quando você se sente responsável pelo serviço que presta e pelos arquivos que mantém, o software livre é o único que pode garantir segurança tecnológica, política e jurídica a você e aos seus clientes.

Como profissional, é que acredito que é necessário trabalhar dentro destas condições de segurança e poder oferecer o mesmo aos clientes.

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Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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