Os problemas do Instagram para os fotógrafos

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Como meio de divulgação do trabalho, o Instagram é uma boa opção para fotógrafos.

A plataforma torna fácil a divulgação de seus posts e de seu perfil dentro da comunidade local e, provavelmente, é a melhor plataforma para encontrar clientes dentro da sua cidade.

Acredito que seja também uma excelente ferramenta de comunicação com os clientes.

As limitações começam a surgir, quando passa-se a querer algo mais ou quando trabalha-se com um tipo de fotografia diferente do mainstream. Vamos analisar alguns destes obstáculos.

Sinta-se à vontade para compartilhar comigo e com os outros leitores o que você pensa sobre o Instagram para a comunidade de fotógrafos.

Os preconceitos na censura

Divulgar o seu trabalho, entre clientes e seguidores, aparentemente é muito fácil para quem é fotógrafo de retratos, ensaios, eventos, paisagens etc.

Mas fica complicado lidar com a censura, para quem faz um trabalho de retratar corpos nus de clientes. É uma briga constante e, por vezes, completamente inútil para você.

Os donos do Instagram, aparentemente, têm problemas com o sexo, a nudez masculina e feminina e com os seios das mulheres.

Há muitos fotógrafos e fotógrafas que fazem trabalhos lindos — estética e filosoficamente — envolvendo a nudez das pessoas.

O pessoal que determina as regras, no Instagram, infelizmente, não consegue entender isso.

A perversidade do algoritmo

Se acredito que a censura é realmente a parte perversa da plataforma, o algoritmo chega a ser ilógico e estúpido — e, não. O algoritmo não é neutro. Ele carrega todos os preconceitos e perversidades de quem o criou. Sempre.

Entendo que o Instagram cobre para promover os seus posts, o seu perfil etc. — mas, ao mesmo tempo, exibir conteúdo de qualidade já dá bastante lucro para a plataforma.

Não faz sentido o Instagram esconder foto bonita, apenas por que “não pagaram para mostrar”.

Na verdade, se você produz conteúdo, o que faz sentido é a plataforma te pagar, mais ou menos nos moldes do Youtube.

É um algoritmo (propositadamente?) ineficiente para nos livrar de discursos de ódio e desinformação (fake news, mentiras, calúnias…). Por outro lado, já vi imagens de pessoas comendo carnes cruas sob um filtro de desfoque, alegando que o conteúdo é “sensível”.

Na minha percepção, o algoritmo privilegia posts inúteis (quando não são ofensivos) e dificulta a exibição de conteúdo de qualidade.

Eu tento fazer a minha própria “curadoria”, curtindo apenas o que eu gostaria de continuar a ver na minha timeline, mas é difícil “ensinar” o algoritmo a parar de mostrar futilidades.

Neste sentido, participar de grupos de fotografia, no Facebook pode ser mais interessante para quem deseja ver apenas conteúdo de qualidade e, eventualmente inspirador.

A comunidade do Instagram

O Instagram, para poder crescer, jamais poderia privilegiar a minúscula comunidade de fotógrafos. Ainda bem — pois, se o fizesse, a plataforma não lhe serviria para se comunicar com os seus clientes.

Você ganha de um lado e perde de outro.

O Instagram é péssimo para quem deseja apenas compartilhar boas imagens e se inspirar. Para isso, aliás, existe o 500px, o Behance, o Flickr etc. Até o Facebook, como já disse, é melhor, neste sentido.

As suas fotos não são ruins, por que ganham poucas curtidas. É que a comunidade não é especializada ou interessada em fotografia. Só isso.

Acredito que adotar um conceito de grupos, seria bem salutar para o Instagram — aonde você pudesse ver feeds separados/isolados por interesses. As próprias hashtags poderiam ser úteis neste sentido — mas a plataforma subutiliza completamente o recurso.

Minha conclusão

Use o Instagram, como fotógrafo(a) profissional, para se comunicar com sua clientela. Se for o caso, pague para divulgar o seu trabalho dentro da plataforma.

Mas mantenha o seu portfólio sempre dentro do seu site, sob as suas regras. Isto é muito importante.

Se for o caso, troque o Instagram pelo Facebook, para contatar a sua clientela — com a vantagem de que este é mais completo.

Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.

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