3 dicas para quem vai comprar celular no exterior

iphone black and white
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Após várias perguntas, na sessão de comentários, alguns leitores conseguiram atiçar minha curiosidade. Fui pesquisar sobre aparelhos comprados no exterior (EUA, Europa etc.)
Da minha parte, não tenho interesse algum em comprar um smartphone de outro país, apesar de saber que os preços podem ser muito atraentes.
Prefiro os livros e, para ninguém me chamar de “pseudointelectual” (na verdade, detesto estes tipos)… minha segunda e terceira opção são whiskies e vinhos.
Este texto, portanto, não se baseia na minha experiência pessoal, mas em vários outros relatos e artigos. Se você ainda tiver dúvidas, clique nos links (ao final do texto ou no meio dele) para se aprofundar mais.
iphone concept

Os impostos

Se os preços são convidativos, por um lado, os impostos devidos, por outro, também precisam ser considerados.
Existem cotas para quem viaja para o exterior e está voltando com compras.
Na data deste post, são 500 dólares para quem chega por via aérea/marítima e 300 dólares para quem chega por via fluvial/terrestre. Ou seja, se suas compras estiverem dentro da cota, estarão isentas de impostos.
De uns anos pra cá, a Receita Federal tem permitido que você entre com produtos considerados “bens de consumo pessoal”. Estes produtos não são incluídos na cota.
Isto quer dizer que, se você adquirir um smartphone durante a viagem e estiver com ele habilitado e funcionando, na mão, pode passar tranquilo.
Se o aparelho estiver lacrado, dentro de uma caixa, contudo, a alegação de que se trata de um bem de consumo pessoal, perde seu valor. Fique atento.
O segundo aparelho, sob sua posse, já será somado á sua cota pessoal de 500/300 dólares.
Um smartphone, um relógio ou uma câmera podem se encaixar nesta categoria. Notebooks, filmadoras, tablets, não.
O que exceder, à cota de isenção, estará sujeito a tributação de 50% sobre o valor excedido.
Se você “esquecer” de declarar os bens adquiridos, pode acabar tendo que pagar uma multa de 50% sobre o valor devido.
A Receita Federal tem um site com perguntas e respostas sobre o assunto.
Apple iPhone

Garantia e assistência técnica

A Apple oferece a opção de 12 meses de garantia para aparelhos adquiridos em qualquer loja física ou online.
Certifique-se de que o aparelho adquirido, já esteja homologado pela Anatel.
Aparelhos adquiridos de outros fabricantes, via de regra, não oferecem garantia fora do país de compra.
Há decisões do PROCON, contudo, no sentido de que marcas internacionalmente conhecidas devem dar garantia a aparelhos adquiridos no exterior.

Detalhes técnicos que você precisa observar

Há alguns detalhes técnicos sobre os quais você precisa se informar, antes de se decidir pela compra:

  1. Garantia — se você vai contar com a garantia de um grande fabricante internacional, tenha em mente que os serviços de assistência serão impotentes frente a um aparelho que não é fabricado aqui — caso tenham que fazer alguma reposição de peças.
    Adquirir aparelhos que não são fabricados no Brasil, é um risco a mais.
  2. Idioma — a totalidade (ou quase) dos aparelhos vendidos no mundo têm suporte à língua inglesa. Se você faz questão de ter os menus em língua portuguesa, verifique se esta opção consta do aparelho, ainda na loja.
    Às vezes, é possível instalar o idioma desejado no aparelho, posteriormente (até mesmo sem fazer root) — mas isto significa ter um trabalho a mais.
  3. A frequência de operação — é um detalhe que não pode ser ignorado.
    No Brasil, os aparelhos operam na frequência 2,5 e 2,69 GHz. O mesmo padrão é adotado na Austrália, Nova Zelândia, México, Canadá, Chile, Colômbia e Costa Rica, além de alguns países europeus.
    Nos EUA, a frequência usada para 4G, é 700 MHz — introduzida no Brasil, a partir de 2014.
    Fique atento a este aspecto técnico, caso vá fazer compras em outros mercados.
  4. Desbloqueio — se for adquirir um aparelho da Apple, pague o valor full price. Isto é necessário, para que o aparelho não venha atrelado a um plano de operadora indisponível no Brasil.
    O mesmo cuidado você deve ter com aparelhos de outras marcas.

Conclusão

Lendo comentários, no meu site e nos dos outros, não pude deixar de notar que a maioria dos brasileiros que se deu mal com compras no exterior, cometeu o mesmo erro que costuma cometer nas compras aqui dentro, em território nacional: compraram movidos(as) pelo impulso.
Se você está lendo este texto, antes de fazer a compra, este não seria o seu caso, provavelmente.
Pessoalmente, costumo pesquisar com antecedência de meses antes de fazer compras. Não vejo por que não faria isto com uma compra no exterior — ainda mais sabendo que vai ser difícil voltar à loja para reaver um prejuízo.
Se não for comprar um iPhone, convém pesquisar os modelos que se adequam antes de viajar.
Inclusive, visite os sites das lojas onde você provavelmente fará sua compra. Obtenha e analise as especificações técnicas dos aparelhos que você quer.
Se possível, entre em contato com a loja e já deixe reservada a sua mercadoria.

Referências

http://www4.receita.fazenda.gov.br/simulador/.
http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/viagens-internacionais/guia-do-viajante/perguntas-e-respostas.
https://www.correios.com.br/para-voce/correios-de-a-a-z/importacoes-de-ate-us-500-00#tab-1.
http://www.teleco.com.br/4g_freq.asp.
http://www.worldtimezone.com/gsm.html.
http://www.gsmarena.com/network-bands.php3?sCountry=UNITED+STATES.
http://www.androidpit.com.br/comprar-celular-no-exterior-funciona-problemas.
http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2015/09/tudo-que-voce-precisa-saber-antes-comprar-um-celular-importado.html.

Por Elias Praciano

— fã de séries, como "Love, Death & Robots", "Rick and Morty" e "Ray Donovan". Gosta de criar imagens, direto da câmera, com o mínimo de pós-produção. Há vários anos o seu livro favorito é Neuromancer, de William Gibson.